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Polícia Civil desarticula o tráfico doméstico e efetua 180 prisões em Fortaleza

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Polícia Civil desarticula o tráfico doméstico e efetua 180 prisões em Fortaleza

Somente este ano, a Denarc já apreendeu 70 quilos de crack

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Somente este ano, a Denarc já apreendeu 70 quilos de crack
''OPERAÇÃO TENTÁCULOS''
Polícia Civil desarticula o tráfico doméstico e efetua 180 prisões em Fortaleza
24/11/2008 - 08h08
fonte Diário do Nordeste



Cento e oitenta acusados do tráfico de drogas já foram presos, em Fortaleza, nos últimos oito meses. As prisões, realizadas por uma equipe de policiais bastante reduzida, da Delegacia de Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil, vêm sendo resultantes de centenas de denúncias que chegam diariamente àquela Especializada. ´Nos últimos dois meses, recebemos aproximadamente 500 denúncias´, confirma o delegado César Wagner Maia Martins, titular do órgão.

O delegado assumiu a titularidade da Denarc em março deste ano com apenas seis policiais civis em sua equipe. Algum tempo depois, perdeu dois da equipe e trabalhou durante meses com apenas quatro policiais. Atualmente, conta com sete homens que vão às ruas todos os dias à procura dos traficantes. ´Também recebemos reforço de um escrivão e um delegado´, destaca.

Somente este ano, a Denarc já apreendeu 70 quilos de crack. No ano passado, apenas oito quilos de crack tinham sido apreendidos. De cocaína, foram 19 quilos, contra 2,5 quilos apreendidos em 2007.

Os principais problemas detectados pelo delegado, durante as investigações, dizem respeito ao envolvimento de pessoas cada vez mais jovens no esquema do tráfico de drogas. ´Das denúncias que recebemos, analisamos e atuamos, com prioridade, as que envolvem crianças e armas ´, conta. Segundo ele, a maioria das prisões é de jovens entre 18 e 23 anos. ´Muitos deles usam crianças e adolescentes como ´aviões´, para entrega de drogas. É desta forma que estes jovens são introduzidos na criminalidade´, relata.

Messejana

A área da Grande Messejana - especificamente, os Conjuntos Santa Filomena e São Miguel - continua sendo a mais problemática para a Polícia, no tocante ao tráfico de entorpecentes.

Há cerca de uma semana tinham sido apresentados quatro acusados de tráfico presos no Conjunto Santa Filomena. Foram eles: João Paulo da Silva Holanda, 22 anos; Erivan Moreira Lima, o ´Bill´, 21; Danilo Nascimento da Silva, 20, que já responde a processo por tráfico de drogas e Roberto Lins Carvalho Miranda, 24. Em poder da quadrilha foram apreendidas 125 pedras de crack e celulares.

Em outra operação simultânea, dois irmãos foram presos no bairro da Aerolândia. Francisco Cleirton Diógenes Rodrigues, 34 anos e Francisco Clerton Rodrigues Diógenes, 21. Eles são proprietários do ´Bar do Branco´, que, segundo a Polícia, era o ponto-de-venda de cocaína. ´Vendiam droga no cartão de crédito. Tinham rádios de comunicação, cheques, dinheiro, celulares e 118 papelotes de cocaína, no momento da prisão´, conta o delegado César Wagner.

Recente

Atualmente, as prisões vêm ocorrendo, em sua maioria, dentro de uma grande operação desencadeada pela Denarc, denominada ´Operação Tentáculos´. Primeiro, 60 pontos-de-vendas de drogas que funcionavam 24 horas na Capital foram mapeados pela equipe da ´Narcóticos´. Logo em seguida, os policiais passaram a ´atacar´ os pontos e seus gerentes, prendendo traficantes e apreendendo armas de fogo, drogas, celulares e outros apetrechos relacionados ao tráfico de substâncias entorpecentes.

A última grande investida da Denarc na operação ´Tentáculos´ aconteceu entre os dias 18 e 20. Neste período, sete acusados da venda de drogas foram presos e mais pontos-de-venda fechados. Quatro homens e três mulheres - uma delas grávida de sete meses - foram os alvos. Eram eles: Aílson Martins Campos, 20 anos, preso no Mondubim, com maconha, crack, celulares e dinheiro; Francisco José Brito Rodrigues, 32, no Conjunto Industrial, com um revólver de calibre 38 municiado e cheques. Este, segundo o delegado César Wagner Martins, titular da Denarc, ´está sendo investigado como um braço armado do tráfico de drogas na Capital´.

No Parque São José, duas mulheres foram presas: Carla Zulene Cavalcante da Silva, 26 anos e Eveline da Silva Duarte, 32. Em poder delas, foram encontrados dinheiro, crack e uma balança de precisão.

Francisco Alexandre de Andrade Rio foi preso no bairro da Maraponga com crack, cocaína e maconha. ´Há três meses tínhamos prendido o traficante conhecido como ´Raimundinho da Maraponga´, naquele bairro, e Alexandre passou a ser o gerente dele na ocasião de sua prisão´, revela César Wagner.

Mais

Mais um homem e uma mulher foram capturados. Antônio Welington Alves de Oliveira, 22, no Parque Santo Antônio, e Glória Maria de Sousa Paixão, 21, estudante, no bairro Bom Sucesso. Com Antônio, a Polícia encontrou crack, maconha e celulares. ´Ele já responde a processos por furto, assalto e porte ilegal de arma´, destaca o delegado.

Com Glória, foram apreendidos crack, celulares, dinheiro. Ela estava gestante e, por esta razão, foi transferida no dia de sua prisão para o Instituto Presídio Feminino Desembargadora Auri Moura Costa.

Com mais esta investida, foram fechados, no total, 17 pontos de venda de drogas e 25 traficantes presos, dentro da operação ´Tentáculos´, que está com apenas três semanas.

ESTRATÉGIA
Criminosos aliciam jovens da periferia

´O tráfico doméstico vende, em média, de 30 a 50 pedras de crack por dia. Imagine o que isso representa em um mês, um ano´. O argumento do delegado César Wagner vai de encontro às críticas que tem recebido por estar prendendo ´apenas traficantes pequenos´.

´São estes traficantes que incomodam a população, que aliciam os jovens e até mesmo as crianças para começarem no crime, especialmente nos bairros mais humildes, da periferia´, acrescenta.

Segundo ele, entre os traficantes presos pela Denarc nos últimos oito meses existem alguns considerados distribuidores. ´Estes são o braço forte de uma rede, que começa com o traficante maior e termina com os ´aviões´ e viciados´, explica.

Para chegar aos traficantes, a Polícia tem utilizado uma eficaz arma: a parceria com a sociedade. As denúncias da população são fundamentais no trabalho de localização dos mercadores das drogas. Em uma esquina, beco, ruela ou em algum terreno baldio, os traficantes atuam de espreita e usam garotos e garotas de menor idade para servirem como ´aviões´. Assim, vendem as drogas, lucram com o crime e pouco se expõem.

Mapeamento

Foram também as denúncias da população que, aliadas ao trabalho próprio de investigação dos inspetores da delegacia, que possibilitaram àquela Especializada mapear, pelo menos, 60 pontos-de-venda de drogas que vinham funcionando ativamente na Capital e sua Região Metropolitana.

“Até o fim do ano, pretendemos ´estourar´ todos eles e prender quem ainda está praticando tráfico. Esta é uma determinação do secretário da Segurança Pública e estamos cumprindo´, diz César. Bairros da periferia concorrem com aqueles ditos de elite´ na profusão das drogas em Fortaleza. Não há setores privilegiados neste tocante. Os traficantes tentam agir em qualquer lugar, bastando que haja demanda, isto é, quem esteja pronto para comprar as ´mercadorias´.

Assim, no Grande Bom Jardim e no Grande Pirambu, ou na Grande Messejana, sistematicamente são realizadas diversas prisões, assim como na Aldeota, Papicu, Meireles, Dionísio Torres e Varjota. O crime não escolhe lugar e a Polícia deve estar atenta para atuar em todos os locais. Contudo, a dificuldade maior reside no pouco efetivo existente para atender à demanda.

Em áreas consideradas como pólos de diversão, onde há a concentração de muitos jovens, como Praia de Iracema, Praia do Futuro e Barra do Ceará, a Denarc realiza um trabalho de ´inteligência´, monitorando as situações e identificando eventuais pontos onde estão sendo vendidas drogas como crack, maconha e cocaína.

Áreas visadas

Na Zona Leste da Capital, os bairros com maiores incidências de tráfico estão na área compreendida entre o Mucuripe e o Caça e Pesca. Neste cinturão estão comunidades como o Vicente Pinzón, Morro Santa Terezinha, Serviluz e Castelo Encantado. Do lado oposto, na Zona Oeste, bairros como Pirambu, Álvaro Weyne, Quintino Cunha, Barra do Ceará e Vila Velha preocupam. Na Zona Sul, o Grande Bom Jardim é o foco de constantes ações da Polícia, assim como a Grande Messejana e os conjuntos Tasso Jereissati e Tancredo Neves.
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