04/08/2008 - 11h55 Atualizada em 04/08/2008 - 11h59 Efrém Ribeiro
Jornal Meio Norte / meionorte.com
A colisão entre uma picape Courier, de placa LWB-8201, de Manoel Fole, com a motocicleta Titan, de placa LVU-1377, conduzida pelo estudante Antônio Neto, que teve a perna decepada no acidente e foi levado entre a vida e a morte para atendimento no Pronto-Socorro do Hospital Getúlio Vargas (HGV), terminou por provocar um inédito enfrentamento entre moradores do conjunto habitacional São Sebastião, na zona Sudeste, com os policiais da Rone (Rondas Ostensivas de Natureza Especial) da Polícia Militar.
Depois do acidente, os moradores, revoltados, cortaram a estrada da Usina Santana com pás e picaretas e quando os policiais da Rone foram conter os manifestantes e impedir o bloqueio da estrada, os motoristas resolveram enfrentá-los. Eram homens e mulheres revoltados que partiram para o enfrentamento com os policiais, que dispararam balas de borracha.
Uma delas atingiu os moradores José Filho, que foi ferido na perna direita;
Marcos Campelo da Rocha, o Marquinhos, que estava sentado em uma esa debaixo de árvore bebendo cerveja; e Francisco de Assis. Quando chegaram na estrada da Usina Santana, no conjunto São Sebastião, os policiais da Rone foram logo disparando balas de borracha para evitar que moradores continuassem cortando a rodovia.
Os ânimos ficaram acirrados porque em vez de recuarem, os manifestantes partiram para o confronto com os policiais. Até o soldadoda reserva Pedro Costa, que estava com os manifestantes responsáveis pelo
bloqueio da estrada, foi empurrado e enfrentou os policiais da Rone.
“Os policiais da Rone em vez de perseguirem o carro e prender Manoel Fole foram atirar contra a população descente e trabalhadora”, afirmouPedro Costa. Os próprios manifestantes conseguiram segurar,
empurrando contra a parede, motoristas que queriam, sem armas, enfrentar os policiais armados de fuzis e metralhadoras. Quando perceberam que a situação não seria controlada com rapidez, os policiais
da Rone pediram reforço para o 8º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e outros grupos da Polícia Militar.
Quando a situação foi controlada, a estrada da Usina Santana parecia uma praça de guerra com nove viaturas e mais 19 homens dos comandos
especiais e dos Batalhões da Polícia Militar.
“A Rone foi chamada porque os manifestantes estavam destruindo e cortando a estrada, que é patrimônio público”, afirmou o sargento Vilson Pereira dos Santos, da Companhia Independentede Policiamento de Trânsito (Ciptran). O soldado Luiz, do 8º BPM, informou que a Courier
estava indo no sentido Usina Santana para o Dirceu em alta velocidade e atingiu o motociclista, que teve a perna decepada e foi internado correndo risco de morte no Pronto-Socorro do HGV.