Os professores da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) iniciaram hoje, quarta-feira (09), uma greve por tempo indeterminado. A categoria reivindica melhoria salarial, concurso público para professor efetivo (700 vagas) e melhoria estrutural da universidade, como reforço do acervo das bibliotecas, construção de laboratórios, salas para professor e compra de equipamentos, como data show, para as coordenações de curso.
Um carro de som, panfletos e cartazes reforçam o movimento e convidam à mobilização os docentes da instituição. "A receptividade é muito boa, já que o clima de greve foi favorecido pelo próprio Governador, que declarou que "não há motivo para insatisfação e que os docentes podem fazer greve, se quiserem"", explica Daniel Solon, presidente da Adcesp (Associação dos Docentes da Uespi).
Além das salas vazias e corredores desertos no campus-sede da Uespi, Poeta Torquato Neto, outros campi no interior do estado também estão aderindo à mobilização. Hoje pela manhã foi realizada uma assembléia geral, que lotou o auditório do campus Torquato Neto, inclusive com grande participação de estudantes. "A grande participação da comunidade acadêmica, de professores e alunos, foi fundamental na assembléia; a própria reitora percebeu que todos estão insatisfeitos com a situação salarial precária da Uespi. Ninguém da administração superior se manifestou contrário à greve", explica Daniel Solon.
A Secretaria de Administração do Estado receberá representantes da Adcesp, na próxima sexta-feira (11), às 15h, para iniciar as negociações. Mas o presidente da entidade informa que a greve deverá continuar até que os docentes analisem a proposta do governo. "Na próxima segunda-feira (14), haverá outra assembléia geral, às 9h30, quando a categoria deve ter em mãos a proposta do governo para avaliação e encaminhamentos", declara Daniel Solon.
A categoria reivindica melhoria salarial, já que o professor 20 horas, graduado, recebe apenas 506 reais. Atualmente, 33% dos docentes da Uespi ganham menos de 1,5 salário mínimo e 76% recebem menos de 3 salários mínimos. Os docentes lutam também por concurso para professor efetivo, para reduzir o quadro de 62% de professores substitutos, quando a lei define o máximo de 20%.