Um ano e meio depois da transferência de todos os presos que lotavam os xadrezes das delegacias de Polícia da Capital e Região Metropolitana, remanejados para as duas Casas de Privação Provisória da Liberdade (CPPL), de Caucaia e Pacatuba, o problema voltou a atormentar as autoridades da Segurança Pública.
Novamente as delegacias estão abarrotadas de presos em sua celas. Fugas, pequenos motins e resgate de detentos voltaram a fazer parte da realidade das DPs. As ocorrências são constantes e já somam três somente esta semana.
O último levantamento feito pelo comando da Polícia Civil, na manhã de ontem, comprovou que 636 presos ocupavam as celas das delegacias distritais e metropolitanas de Fortaleza. Outros 130 estão confinados nos xadrezes das delegacias especializadas. Apenas 50 vagas nos presídios surgem a cada semana e não são suficientes nem mesmo para tirar um preso de cada delegacia.
´Procuramos priorizar as transferências obedecendo a alguns critérios, como o grau de periculosidade do preso, seu estado de saúde e outros quesitos são considerados importantes nesta avaliação´, explica o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegado Franco Júnior.
O problema da superlotação é agravado pelo reduzido número de policiais nas delegacias. A situação na maioria das DPs é sempre um policial apenas para vigiar dezenas de presos e ainda fazer a segurança das demais dependências do prédio: gabinetes, cartório, sala de investigações, depósito e outros. Durante as fugas, os policiais são facilmente rendidos.
Na manhã de quinta-feira última, nove presos foram resgatados por uma quadrilha, no 27º DP (João XXIII). No domingo passado, um policial teve que atirar contra os detentos para impedir uma fuga em massa no 33º DP (Goiabeiras). ´Não temos solução a curto prazo para este problema. Aliás, a solução nem depende da Polícia. Temos que esperar que as ações de Governo se concretizem´, pondera o delegado Franco Júnior.