A Região dos Inhamuns, uma das mais pobres do Ceará, já espera uma revolução na sua economia a curto prazo — impactada, por conseqüência, todo o Estado — com a construção da usina comercial de energia solar no município de Tauá (a 344 km de Fortaleza). Apesar de o empreendimento, em si, possuir a capacidade de criar, no máximo, 60 postos formais de trabalho, a sua instalação irá ocasionar um efeito multiplicador em outras áreas, já indicando a geração de cerca de 10 mil empregos, entre informais e associados naquela região.
Esta é a expectativa da empresa MPX, que capitaneia o projeto, segundo informou ontem o diretor de Novos Negócios do Grupo, Marco Antônio Vieira, em apresentação feita ao Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam). Segundo estudo da MPX, a entrada da usina, além de elevar a arrecadação estadual de ICMS e a de ISS para os municípios beneficiados, irá fortalecer a capacitação técnica da mão-de-obra da região, que, garante, irá operar não só na construção do empreendimento, como também na sua operação e manutenção. ´Queremos utilizar o máximo de mão-de-obra da localidade, e vamos ajudar a treiná-la´, afirmou.
O turismo, outro forte setor, também será incrementado. ´Todas as regiões que implantaram uma usina solar viraram locais de atração turística´, afirma, explicando que o projeto atrairá tanto turistas movidos pela curiosidade, como aqueles com motivos de pesquisa na ciência e tecnologia.
De acordo com o secretário estadual de Cidades, Joaquim Cartaxo, o governo espera construir no local um pólo ´tecnosolar´, criando e exportando tecnologia. Segundo ele, Tauá é a ´cidade mais digital´ do Estado, o que facilita os planos.
E, na esteira dessa nova fonte de renda, constrói-se toda uma indústria de serviços, acrescenta Vieira. ´Tauá irá ter visibilidade internacional´, acredita. E essa possibilidade é bem clara: a usina da MPX será a maior das Américas e do Hemisfério Sul, a segunda do tipo no mundo. Com a capacidade de gerar 50 MW de energia, a planta ocupará uma área de 204 hectares, sendo 75 destes destinados às placas fotovoltaicas (de produção de energia através do sol) e Às estações de conexão. O restante será uma espécie de cinturão de segurança da usina. Pela dimensão do empreendimento, a unidade poderá ser vista até do espaço.
A usina será construída em etapas. A primeira, com capacidade de 5 MW, deverá ser iniciada até junho de 2009 — com investimento de US$ 34 milhões — chegando a 15 MW no fim do ano. Para o terceiro trimestre de 2010, os planos são de que a capacidade duplique, alcançando o seu potencial máximo até o fim de 2011.