As taxas de expansão da indústria no acumulado de 12 meses são as mais altas desde o início da pesquisa feita pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em 2003, segundo dados divulgados hoje. A pesquisa dos indicadores industriais revela ainda que o uso da capacidade instalada, que reflete o quanto das máquinas está em funcionamento, recuou levemente e que faturamento da indústria registrou a maior elevação desde junho de 2007.
Na comparação com fevereiro de 2007, as vendas reais da indústria já descontada a inflação mostraram aumento de 11,5%. Ante janeiro, a alta foi de 0,3% e em termos dessazonalizados, de 1,5%. No acumulado dos dois primeiros meses de 2008, houve incremento de 10,9% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado, e no acumulado em 12 meses, a expansão é de 11,5%.
Os indicadores mostraram ainda que a utilização da capacidade instalada (UCI) na variação dessazonalizada registrou 82,9%, queda em relação ao mês anterior, quando a taxa foi de 83,1%.
Segundo a CNI, o dado mostra a tendência de desaceleração porque os investimentos feitos pela indústria começam a dar resposta. De acordo com Paulo Mol, economista da entidade, as empresas estão empregando mais recursos para responder ao aumento da demanda e manter o ritmo forte de crescimento das vendas.
"A partir de dezembro de 2007 é observada queda na utilização da capacidade instalada. Isso não está ligado à intensidade de crescimento que se mantém forte, confirma os dados de investimento", explicou Mol.
Segundo o economista, as indústrias perceberam que a demanda é crescente e que para manter as taxas de expansão, é preciso assegurar capacidade de produção. Ele destacou que o ritmo dos investimentos feitos pelas empresas nacionais corresponde a mais do que mais o dobro do PIB (Produto Interno Bruto) há oito trimestres consecutivos.
De acordo com Mol, a partir do quarto trimestre de 2006, as taxas de recursos empregados para aumento da capacidade de produção estão acima dos dois dígitos. "Temos investimento crescendo a mais de 10% ao ano", afirmou o economista.
O gerente executivo da unidade de pesquisa econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que o único entrave para o crescimento será um aumento na taxa de juros, hoje em 11,25% ao ano. "Se a Selic aumentar, afeta os investimentos da indústria por causa da redução das expectativas. Com certeza é um sinal de que o governo vai tentar reduzir o crescimento da demanda, e isso pode reduzir o crescimento da indústria e da economia como um todo".
Apesar da redução da capacidade instalada, houve aumento de 1,6% nas horas trabalhadas na indústria no segundo mês deste ano. Nos dados dessazonalizados, essa variação foi positiva em 1,8%. Em 12 meses, a expansão foi de 8,8% e na comparação do primeiro bimestre deste ano, a elevação foi de 7,8%.
O emprego no mês se manteve estável sobre janeiro, e em relação a fevereiro de 2007 houve aumento de 4,9%. No primeiro bimestre deste ano o crescimento foi de 5% sobre os dois primeiros meses de 2007.
Dos 19 setores pesquisados, dez apresentaram crescimento nas vendas. Somente três setores mostraram queda nas vendas em relação ao mesmo mês de 2007.