67% dos moradores de rua usam drogas em Teresina, apontam dados

Os dados foram coletados entre os meses de agosto e novembro

Das 247 pessoas em situação de rua em Teresina identificadas pela Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e de Assistência Social (Semtcas), 67% fazem uso de substâncias químicas, ou seja, 165 são usuárias de drogas.

Os dados, coletados entre os meses de agosto e novembro de 2014, constam no Diagnóstico da População em situação de rua de Teresina, realizado pela Gerência de Proteção Social Especial (GPSE), da Semtcas.

O uso de substâncias químicas, além de fazer parte da vida da maioria das pessoas em situação de rua, também é o principal motivo que as levam a buscar abrigo nos espaços urbanos. Segundo o relatório, 44% dos moradores de rua deixaram seus lares por fazer uso de álcool ou drogas ilícitas.

Vale destacar que a quantidade de usuários de drogas aumenta quando estes passam a viver nas ruas, por ser um ambiente vulnerável à comercialização dessas substâncias.

O diagnóstico foi feito com base na população atendida pelo Centro Pop, localizado no centro de Teresina, onde os moradores em situação de rua foram entrevistados e foi possível construir o perfil dessa população, em que 76% são homens; 45% sabem ler e escrever (têm ensino fundamental incompleto); 58% têm o Piauí como o Estado de origem; 19% omitiram ou não informaram documentos e 60% não informaram renda.

Para Joyce Nogueira, gerente executiva do Centro Pop, o número de moradores em situação de rua que fazem o consumo de drogas é significativo e merece atenção especial das autoridades e das famílias.

“O vício em si, independente da pessoa estar ou não na rua, é preocupante, já que é algo que debilita muito e que gera muitos transtornos.

Levando em consideração que a pessoa moradora de rua vive numa extrema vulnerabilidade, sem nenhum tipo de cuidado ou assistência, isso torna o quadro ainda mais agravante, já que as drogas trazem outras problemáticas”, destaca.

Questionada sobre a segunda razão que leva pessoas a buscarem abrigo nas ruas da cidade, Joyce Nogueira destaca o conflito familiar, muitas vezes desencadeado pelo consumo de drogas.

“Quando vamos questionar os motivos desses conflitos familiares, eles retornam às questões do uso de drogas por conta das problemáticas que um usuário gera a partir do momento em que ele está na casa da família”, pontua.

Centro Pop faz quatro anos de assistência

O Centro de Referência Especializado para População de Rua (Centro Pop) que atende a população em situação de rua, maiores de 18 anos, completa, nesta quarta-feira (19), quatro anos de existência prestando orientações e atendimentos de assistência social, encaminhamentos médicos e jurídicos, nos três turnos do dia.

"O serviço prestado pelo Centro Pop não é acolhimento. Nós os encaminhamos para o albergue da cidade, onde eles possam pernoitar, e ainda repassamos as orientações necessárias.

O nosso trabalho, além de oferecermos oficinas e palestras, é de articulação com órgãos e instituições mediante as necessidades que eles nos trazem, que vão desde viabilizar documentos, a buscar contato com a família e encaminhamentos para hospitais", esclarece Joyce Nogueira, gerente executiva do Centro Pop.

O Centro Pop se localiza na Rua Álvaro Mendes, Nº 1801, próximo a Praça do Fripisa, no centro de Teresina. Para mais informações entre em contato com o seguinte número: 3251-9317.

Casa Pastoral tira 42 moradores das ruas

Quem também tem se mobilizado em prol das pessoas em situação de rua é o padre João Paulo Carvalho, capelão do Hospital Getúlio Vargas. Com apoio de 15 fiéis católicos, eles têm prestado os devidos apoios na Casa Pastoral do Povo da Rua e já conseguiram retirar 42 moradores das ruas de Teresina.

A iniciativa teve início em agosto de 2011, quando o padre convidou fiéis de sua igreja a distribuir alimentos aos moradores de rua nas praças do centro da capital. O trabalho tem ganhado novas formas de prestação de serviços, com a Casa Pastoral do Povo da Rua.

"Há um ano, o bispo Dom Jacinto emprestou uma casa para tirarmos as pessoas das ruas. É uma casa de abrigo temporário, onde ficam durante uma semana para tirar a documentação, fazer exames clínicos e receberem todos os encaminhamentos de que necessitam, seja um abrigo para dependentes químicos ou mesmo uma passagem para retornar ao seu Estado de origem", esclarece.

A Casa Pastoral do Povo da Rua está localizada na Rua Anísio de Abreu, 702, no Centro/Sul, por trás da Central de Flagrantes e tem se mantido através de doações da sociedade. Para quem tem interesse em contribuir com essa ação, pode depositar quaisquer valores, na conta da Caixa Econômica: Agência 1989, conta 14566-4, para o padre João Paulo Carvalho.

Fonte: Virgínia Santos e Márcia Gabriele