Acusado de matar cartunista em 2010  pode ter alta médica em 15 dias, diz psicóloga

Acusado de matar cartunista em 2010 pode ter alta médica em 15 dias, diz psicóloga

Ele confessou ter matado Glauco Vilas Boas e o filho Raoní, em São Paulo

Carlos Eduardo Nunes, o Cadu, 26 anos, assassino confesso do cartunista Glauco Villas Boas e do filho Raoní, está internado em uma clínica psiquiátrica de Goiânia. Incluído no Programa de Atenção integral ao Louco Infrator (Paili), o jovem pode receber alta hospitalar em 15 dias, segundo informou a coordenadora do Paili e psicóloga, Maria Aparecida Diniz.

Maria Aparecida teve um primeiro contato com Carlos Eduardo quando ele conseguiu transferência do Complexo Médico Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), para Goiânia, onde o pai mora. "Ele aparentou calma e pareceu compreender a situação dele", disse a psicóloga.

O jovem sofre de esquizofrenia paranoide. Acusado de duplo homicídio, ele não foi julgado porque a Justiça o considerou inimputável, ou seja, incapaz de perceber a gravidade de seus atos. A doença mental não tem cura, mas, de acordo com a Maria Aparecida, tem controle, desde que seja tratada.

Previsão de alta

A coordenadora do Paili explicou que, em acordo com a lei 16.216, conhecida como lei antimanicomial, o sistema público de saúde em Goiás não trabalha mais com internações prolongadas e o período de Carlos Eduardo na clínica deve ser de 30 dias. Como o jovem foi transferido em 23 de outubro, ele completa nesta quarta-feira (7) 15 dias de internação.

Depois desse período inicial, o rapaz fará uma avaliação médica para atestar se ele tem condições de receber alta hospitalar. Caso isso ocorra, passará para outra modalidade de tratamento, em regime ambulatorial, voltando a viver com a família. O Paili ficará responsável pelo monitoramento sistemático e deverá informar todo o processo terapêutico ao juiz.

Tentamos contato com o pai de Carlos Eduardo. A reportagem esteve na clínica psiquiátria onde Cadu está internado, mas os recepcionistas informaram que apenas o administrador da unidade poderia falar sobre o caso e ele não se encontrava no local.

Convívio social

A reportagem tentou falar por telefone com o advogado da família de Glauco, Ricardo Handro, mas não conseguiu contato. Em maio de 2011, quando o acusado foi considerado inimputável, o advogado declarou : ?Esperamos que ele fique afastado do convívio social.?

Questionada se a medida de segurança aplicada a Carlos Eduardo em Goiás pode gerar polêmica, a coordenadora do Paili argumentou: "Apesar de saber que esse ato [o crime] provoca dor e sofrimento, nosso foco não é o ato em si, mas sim o que esse indivíduo precisa para se reinserir na sociedade".

De acordo com Maria Aparecida, o programa atendeu de 2006 até agora 318 pessoas. Desses, 238 estão em acompanhados atualmente.

Em entrevista, o idealizador do Paili e promotor de Justiça Haroldo Caetano da Silva disse que Goiás é o único estado a adotar esse modelo no país. O acompanhamento do infrator considerado inimputável é feito até o fim do processo dele com a Justiça.

Segundo o promotor, há um baixo índice de reincidência, em torno de 8%. Mas ele destaca que, nesses seis anos de funcionamento do Paili, nenhum dos assistidos se envolveu em caso de homicídio.

Crime

As mortes de Glauco e do filho aconteceram em 12 de março de 2010, no sítio onde o cartunista morava, em Osasco (SP). o rapaz invadiu e atirou contra as vítimas.

Cadu frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, que segue a doutrina religiosa do Santo Daime. No dia do crime, o jovem estava sob efeito de maconha e haxixie.

O jovem também foi acusado de três tentativas de homicídio contra agentes federais, roubo, porte de arma com numeração raspada e tortura. Preso na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), ao tentar fugir para o Paraguai, acabou indo para o Complexo Médico Penal do Paraná e, agora, transferido para Goiânia.

Fonte: G1