Agressões motivadas por bullying crescem nas escolas de Teresina

Em uma escola no bairro Santa Maria da Codipi, três casos sérios de bullying foram constatados nos últimos anos.

Vivian Meireles passou há pouco mais de um ano por problemas na escola em que estudava. Depois de reprovar, precisou mudar de colégio, pois colegas de classe passaram a fazer piadas com o intuito de menosprezá-la, o que trouxe consequências bastante graves à estudante. A prática, conhecida como bullying, tem acontecido com certa frequência nas escolas públicas da zona norte da cidade e feito vítimas.



?No começo eu andava com um grupo, mas me afastei porque reprovei. Daí começamos a nos estranhar. Eles não queriam que eu me distanciasse e começaram a me difamar. Escreviam meu nome nas carteiras com xingamentos. Por conta disso fiquei doente. Tive depressão, fui diagnosticada com febre reumática. Teve vezes que tinha que ir pra parada de ônibus acompanhada pra eles não me abordarem. Não conseguia mais render na escola e desisti de ir ao colégio?.

Resultado: perdeu mais um ano, mas hoje ela garante que tem uma vida normal em outro colégio e os amigos não mais a importunam. Situações como essas se tornam bastante comuns, sobretudo em escolas públicas de Teresina. O caso de Vivian é semelhante ao de muitas instituições de ensino. Brincadeiras como apelidos sempre ocorreram no âmbito escolar, no entanto, quando chega a se tornar uma violência, seja física ou psicológica intencionais e repetitivas, devem ser tratadas com cuidado.

Em uma escola no bairro Santa Maria da Codipi, três casos sérios de bullying foram constatados nos últimos anos. De acordo com o diretor da escola, Argemiro Andrade, essa prática acontecia bastante, mas tem procurado reduzir a partir de providências tomadas pelas própria escola.

No entanto, um problema que se constata nas escolas públicas é o fato de que em muitas delas o acompanhamento desses casos é feito apenas pelos próprios professores, que acabam assumindo o duplo papel de educador e psicólogo.

O apoio psicossocial para esses alunos também foi expandido depois da criação de uma gerência que se responsabiliza no acompanhamento aos educandos, que devem ser encaminhados pelas escolas. Nesse processo, o apoio familiar também se torna necessário, o que tem mostrado uma eficácia.

?Se o aluno persistir na situação, vamos encaminhar a família para a Gerência de Apoio ao Educando, que tem psicólogos, assistentes sociais para acompanhar esses casos. Dos casos que ocorreram tomamos providências.

Chamamos pais e pelo menos até agora não apareceu mais?.

Segundo o diretor de outra escola pública na zona norte, muitos dos casos chegam a ser um reflexo dos comportamentos assimilados dentro de casa. Situações sociais, difícil convívio familiar fazem com que os alunos levem para a escola os problemas sentidos em casa. ?A gente constata que a maioria dos problemas com alunos é problemas familiares. Eles tentam se manifestar de alguma forma, uns se retratando, outros sendo violentos?, explica Wilson Correia.

Iniciativas procuram conscientizar sobre o bullying

O aumento do envolvimento de jovens com as drogas e a quantidade de adolescentes vítimas de bullying em uma escola pública no bairro Santa Maria da Codipi motivaram os próprios alunos a realizar uma gincana para conscientizar sobre os riscos dessas práticas. A atividade aconteceu no último final de semana na Escola Municipal Professor José Gomes Campos, que contou com palestras, apresentações teatrais que mostraram o drama da violência.

?Tem acontecido muito isso e a gincana tenta conscientizar esses alunos a melhorar o convívio na escola e fora dela.

Pois tanto faz ser na sala de aula ou no ônibus, alguns alunos fazem brincadeiras pesadas e trazem consequências?, explica a aluna Maria Jordana.

Em outras escolas, como a Unidade Escolar Edigar Tito, no bairro Memorare, outras iniciativas tem sido realizadas com o intuito de diminuir a prática. Somente este ano, duas palestras foram realizadas, uma delas, inclusive, feita por formandos da UESPI que apresentaram vídeos de casos desse tipo de agressão. O diretor da Unidade destaca a importância dessas iniciativas. ?Quando você discute o assunto, quem se sensibiliza vai evitar constranger o próximo?, afirma Wilson Correia.

E quando a ação parte dos próprios alunos nota-se um maior avanço, como o que aconteceu no colégio na Santa Maria da Codipi. Segundo uma das organizadoras da gincana, conversar na mesma linguagem faz com que o aprendizado seja mais eficaz. ?Essa é uma forma de eles entenderem, já que estão trabalhando com isso?, explica Rafaela dos Santos.

Fonte: Virgínia Santos