Aguapés diminuem, mas a poluição permanece no rio Poti, em Teresina

Aguapés diminuem, mas a poluição permanece no rio Poti, em Teresina

As águas da chuva levaram a maior parte dos aguapés que estava cobrindo o rio Poti

Com as chuvas chegando a tendência é que os aguapés diminuam, já que a quantidade de água no rio aumenta e as plantas são arrastadas pela correnteza, já que o fluxo de água aumentam aumentando a vazão.

A quantidade de plantas sobre o leito deveria acompanhar o rio e desembocar no mar. Contudo, nem sempre isso acontece e pode acontecer das plantas ficarem represadas em alguns pontos do rio, principalmente nas proximidades do rio Parnaíba.

De acordo com o geógrafo e técnico ambiental, Kaio Campelo, isso acontece porque o rio Parnaíba é mais caudaloso e acaba represando as águas do Poti em alguns momentos. Quando isso acontece o s aguapés que vinham pela água do Poti acabam barrados pelo rio Parnaíba.

O grande problema é que parte das plantas que descem o rio estão mortas e quando se acumulam no encontro dos rios vão se decompor gerando mais matéria orgânica pro rio. E à vezes podem provocar mau cheiro.

?Mau cheiro é causado por bactérias anaeróbicas que vêm tanto pelo esgoto quanto pelos aguapés que estão em decomposição?, explica Kaio. Segundo ele, mesmo assim, os aguapés vão diminuir neste período de chuvas, pelo fato desta ser uma planta que não fixa seu sistema radicular ? raízes - no fundo do rio. Por conta disso, se o rio pegar uma carga d?água significativa essa planta vai ser levada pela água do rio.

O aguapé é um fator indicativo de grande concentração de matéria orgânica decomposta, ou seja esgoto in natura que provoca. Kaio observa que em pequena quantidades faz até bem para o rio, mas o aumento é prejudicial.

?O aguapé em pequena quantidade é um benefício e reduz essa quantidade de matéria orgânica. Em excesso impede que a luz solar penetre na água, diminuindo assim a sobrevivência dos peixes?, diz.

Para ele as chuvas não vão amenizar o problema de poluição que o rio vem enfrentando. ?Eu acredito que as chuvas nem amenizam e causam um estrago maior.

Exatamente por conta da gente não ter um sistema de drenagem eficiente, o que causa vários alagamentos. Mas é preciso uma medida sanitária, por uma questão de saúde e qualidade de vida. É preciso investir em saneamento e fechar esgotos clandestinos? revela.

Ele acrescenta que o aguapé é subutilizado e tem maior potencial de celulose que o eucalipto. ?Eu vejo que a gente não tá aproveitando o potencial econômico do aguapé.

Há um estudo de um pesquisador do RS, que prova que o potencial de celulose do aguapé é muito maior do que o eucalipto. O tempo de colheita dele é menor e ele pode ser cultivado em lagos e represas?, pontua e também comenta a questão turística do rio que não é aproveitada porque eles estão poluídos.

Fonte: Vicente de Paula