Aumento: Aids cresce 25% em apenas 7 anos e assusta Piauí

O índice de pessoas que morrem em consequência da AIDS cresce 10% a cada ano.

O avanço da Aids ainda é um problema que preocupa as autoridades de saúde em boa parte do mundo e no Piauí não é diferente. Entre 2007 e 2013 houve um aumento de 25,5% no número da doença no Estado. Mas além do crescimento desse dado, há ainda um mais preocupante, o número de óbitos causados pela doença. Hoje no Piauí a mortalidade aumenta cerca de 10% a cada ano. Hoje (1) é celebrado o Dia Mundial de Combate à Aids, uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), instituído em 1988 para mobilizar as pessoas no mundo todo na luta contra o HIV.

O Piauí registrou uma média de 100 mortes anualmente, nos últimos anos.?Nós atribuímos isso ao diagnóstico tardio. As pessoas, quando chegam aos hospitais para procurar tratamento, já estão em uma fase muito avançada da doença, já com comorbidade. Nesse caso, acaba evoluindo para óbito?, explicou a coordenadora estadual de Doenças Transmissíveis, Karina Amorim.

Nos últimos cinco anos, 2.811 casos de aids foram registrados no Estado. Em 2007, eram 360 pessoas infectadas com a doença no Estado, em 2013, até metade do mês de novembro esse número chegou a 452.

Karina aponta dois motivos para esse aumento no número de casos. Um deles é o fato de o acesso à testagem anti HIV e ao diagnóstico da doença estar mais fácil. Se antes poucos lugares ofereciam o exame, agora já é possível encontrá-lo, em Teresina, além de nos hospitais, na atenção básica, ou seja, nas Unidades Básicas de Saúde de todos os bairros. O outro motivo apontado por ela é o fato de a doença de fato estar avançando, pois apesar de o exame estar mais acessível à população, muitas pessoas ainda relutam em realizá-lo e acabam permitindo que a doença evolua. O Piauí é o sétimo do Nordeste em número de casos da doença.

Ela explica que o Piauí está vivendo quatro fenômenos, que também podem explicar esse aumento do número de casos, que são a feminização, avanço da doença entre mulheres; a juvenização, aumento de casos entre jovens; a interiorização, disseminação da doença em cidades do interior do Estado, e pauperização, avanço de casos entre pessoas de baixa renda. ?No início da epidemia havia os grupos de risco, mas hoje nós já percebemos o avanço da doença nessas outras camadas da população?, afirmou.

A maioria dos casos é transmitida por via sexual, correspondendo a 80%. No boletim da coordenação estadual de Doenças Transmissíveis, a maior frequência de casos notificados foi na categoria declarada heterossexual, com uma amostra de 64,28% dos casos. Os declarados homossexuais registram 11,34% e os bissexuais, 7,68%.

Maioria dos casos está na faixa etária entre 20 e 34 anos

A maioria dos casos de aids no Piauí está entre pessoas com faixa etária entre 20 e 34 anos de idade. Eles correspondem a 46% do número de casos registrados no Estado nos últimos seis anos. Para Karina, uma das explicações para esse dado é o fato de as pessoas nessa faixa etária banalizarem a doença.

?Eles levam em consideração o fato de a qualidade de vida, de quem vive com a doença hoje, ser muito boa e por isso acabam descuidando. Muitos deles, com isso, perderam o medo da doença e acabam banalizando o uso do preservativo?, justificou.

Outra parcela da população na qual também se percebe um grande número de casos é entre pessoas com baixa escolaridade. Dados da Sesapi mostram que de quinta a oitava série incompletos foram registrados 122 casos da doença. Já entre pessoas com ensino médio completo são 79 casos e entre aqueles que têm apenas o ensino fundamental foram 69 casos de aids.

?Pessoas com baixa escolaridade geralmente são de baixa renda e por falta de informação e de acesso aos preservativos elas acabam sendo mais vulneráveis a esse tipo de doença. Muitas vezes elas nem sabem que existe perto delas, na Unidade Básica de Saúde do bairro, a realização da testagem anti-HIV?, argumentou Karina.

Fonte: Pollyanna Carvalho