Alcoolismo: Da diversão às perdas e prejuízos sociais

Alcoolismo: Da diversão às perdas e prejuízos sociais

Os primeiros copos de bebida alcoólica, ingeridos por pura diversão, são o pontapé inicial para uma vida marcada por perdas e prejuízos sociais.

O acesso fácil associado ao fato de ter se tornado um hábito social permitido e muitas vezes estimulado pela sociedade, além do prazer causado a quem consome, tem transformado o álcool em um grande vilão da sociedade.

Muitas vezes, os primeiros copos ingeridos por pura diversão, em uma roda de amigos, são o pontapé inicial para uma vida marcada por perdas e prejuízos sociais, financeiros e emocionais.

É praticamente unânime entre os que sofreram com a dependência do álcool e principalmente entre os que atuam no combate a essa droga que os primeiros goles da bebida, que são tidos como inofensivos, são os responsáveis por desenvolver o vício em quem tem propensão para a dependência alcoólica.

Se para quem está de fora isso pode parecer exagero, para quem já vivenciou ou vivencia esse drama essa afirmativa faz muito sentido.

José Francisco Alves, de 64 anos, conta que desde os 20 anos de idade bebe álcool, mas esse consumo passou a ser exagerado e lhe causar incômodo nos últimos nove anos, quando ele perdeu sua esposa e seu filho.

No entanto, há quase um mês, ele decidiu que ia mudar de vida e eliminar o consumo de álcool da sua rotina, quando iniciou tratamento.

?Comecei por influência dos amigos, quando era muito novo e desde então não parei mais. Mas senti que não dava mais para continuar como estava e já estou há quase um mês sem beber e não pretendo voltar para essa vida?, afirmou.

Mas, se antes esse vício era percebido com maior frequência entre homens, hoje ele está cada vez mais comum entre as mulheres. Maria das Graças Calari, de 61 anos, conta que começou a beber com 30 anos de idade e percebeu que perdeu o controle nos últimos meses. A partir de então, segundo ela, sua vida deu um salto negativo, deixando-a mal consigo mesma e perante sua família.

?Não tive nenhum motivo aparente para passar a consumir álcool com a intensidade que eu estava consumindo. Só tive prejuízos. Comecei a ficar agressiva, não conseguia mais passar nenhum dia sem beber. Iniciava logo de manhã, quando ia comprar pão na padaria.

Mas percebi que isso não podia continuar assim. Minha filha, que sempre esteve do meu lado, estava sofrendo muito e meu marido também. E por causa deles eu decidi que quero parar?, relatou. Ela faz tratamento há quase um mês.

Transtornos na vida social e prejuízos à saúde

As consequências do álcool vão muito além dos transtornos na vida social de quem consome. Os problemas físicos também são responsáveis por grandes prejuízos na vida de quem tem contato com a bebida.

O gastroenterologista Carlos Dimas explica que os problemas vão desde uma simples ressaca algumas horas depois, até quadros mais graves como aqueles que evoluem para a cirrose hepática.

?O efeito do uso mais prolongado do álcool causa gastrite e os efeitos mais crônicos atingem o fígado, culminando em cirrose. Lógico que varia de pessoa para pessoa, da quantidade de álcool que ela consome, mas essa é uma das consequências mais extremas do uso do álcool em excesso?, disse o médico.

A Organização Mundial de Saúde já chegou a divulgar dados que mostram que o abuso do álcool mata mais do que AIDS, tuberculose ou violência, sendo responsável por quase 4% de todas as mortes pelo mundo.

?Alcoólicos Anônimos completam 37 anos no Piauí

Apesar de não haver um levantamento e, portanto, não haver números fechados, milhares de pessoas já deixaram o vício após participar das reuniões do grupo Alcoólicos Anônimos, que completa 37 anos de existência no Piauí.

Segundo as pessoas que participam do grupo desde o início, são muitos os motivos para comemorar nessa data. Qualquer pessoa pode participar das reuniões, que acontecem por toda a cidade, sem necessidade de nenhum tipo de identificação ou cadastro.

A metodologia utilizada pelo grupo para encorajar as pessoas a deixarem o álcool são relatos de situações vivenciadas no dia a dia de cada um. A procura por esse tipo de ajuda é bastante grande em Teresina.

?Tem reuniões que atraem oito pessoas, mas tem outras que têm 80. Então não tem como precisar quantas pessoas já foram atendidas ou já foram ajudadas, mas sabemos que foram muitas?, afirmou um dos membros do grupo que quis ter seu nome preservado.

Além de não precisar de identificação, o grupo também não guarda registros de quem passa pelas reuniões. Graças a isso, é garantido total sigilo sobre a identidade de quem participa.

Fonte: Pollyanna Carvalho