Após catarinense, agora é a vez de paulista leiloar a virgindade; jovem quer R$ 100 mil

Após catarinense, agora é a vez de paulista leiloar a virgindade; jovem quer R$ 100 mil

Rebeca diz buscar ajuda para a mãe Divinalva, 59, que passou por um segundo AVC.

"Oi, meu nome é Rebeca e estou aqui para leiloar minha virgindade (...) Não tenho fantasias. Quem der mais, leva... tipo assim, né. Mas é isso, galera". As frases são o começo e o final de um vídeo de menos de um minuto publicado há uma semana no YouTube por Rebeca Bernardo Ribeiro, 18, paulista que mora em Sapeaçu, a 155 km de Salvador.

Ela admitiu ter se inspirado no recente caso da catarinense Ingrid Migliorini, 20, que levantou R$ 1,5 milhão em um leilão do tipo, promovido para um documentário australiano.

Se Ingrid disse que pretendia usar o dinheiro para financiar casas populares, Rebeca diz buscar ajuda para a mãe Divinalva, 59, que passou por um segundo AVC (acidente vascular cerebral) há dois meses "e precisa de auxílio para andar e até comer".

O pai morreu há três anos e a irmã mais velha, há um, relata. A única renda da casa com 13 galinhas e um coelho no quintal é uma pensão de um salário mínimo (R$ 622).

Por causa das gozações na cidade, com 16,5 mil habitantes, ela deixou de frequentar as aulas do ensino médio e chegou a anunciar desistência. "Houve uma repercussão muito negativa, mas eu decidi levar em frente".

Ela apresenta o amigo Matheus Souza, 18, cantor de uma dupla sertaneja em que Rebeca era backing vocal, como seu "assessor" na empreitada. É quem atende às ligações no celular, organiza entrevistas e faz a intermediação com os interessados.

"Já tivemos um lance de R$ 60 mil, de um empresário do sul do Estado", diz ele. Os lances são recebidos por e-mail e telefone, com a meta de chegar aos R$ 100 mil.

O episódio chamou a atenção da promotora Sônia Suga, da comarca local. "A posição do rapaz é criminosa. Age como se fosse um rufião, um cafetão no popular", afirma ela, apontando crimes do Código Penal.

A promotora diz que precisaria da consumação do fato para tomar alguma medida. "A menina não tem muito juízo. Ela não percebeu que virou um ponto de referência local, que pode ficar para o resto da vida."

Questionado pela reportagem, Matheus mudou de versão. "O povo que me apelidou de assessor. Eu estava só tentando ajudar como amigo."

Mas a garota diz que "ainda está analisando a situação". Dependeria de conseguir dinheiro de outra forma, a exemplo de uma doação.

Fonte: Folha