Após denúncias de uso de trabalho escravo, pastelarias dos chineses têm queda no movimento

Uma das denúncias investigadas pelo Ministério Público do Trabalho, agora com a ajuda do Procon, é que algumas pastelarias podem estar vendendo carne de cachorro congelada

Um dia após auditores-fiscais do Trabalho terem autuado, em parceria com o Procon, diversas pastelarias do Rio e da Baixada Fluminense pelas condições de trabalho e de higiene, o funcionamento das lanchonetes do Centro e da Zona Sul era normal na manhã de sábado, mas com poucos clientes.

Em pastelarias de Laranjeiras, Copacabana e na Região Portuária, a maioria dos funcionários não quis comentar as investigações, que envolvem denúncias de trabalhadores mantidos em condições análogas à escravidão. A pastelaria da Rua Camerino — onde, na sexta-feira, além das más condições de higiene, fiscais do Trabalho encontraram um chinês sem documentos e vivendo num buraco no sótão — estava de portas abertas.

Uma das denúncias investigadas pelo Ministério Público do Trabalho, agora com a ajuda do Procon, é que algumas pastelarias podem estar vendendo carne de cachorro congelada, já que o produto foi encontrado em um estabelecimento em Parada de Lucas.

Dono de uma pastelaria na Rua Senhor dos Passos, o chinês Chan Taquan, de 67 anos, disse estar revoltado com a situação. Segundo ele, maus comerciantes estão prejudicando os negócios de quem atua com seriedade no ramo há muitos anos.

— Maus comerciantes que chegaram nos últimos dez anos queimam a imagem dos bons — disse Chan Taquan, que há 30 anos tem loja no Centro.

Artesã, Fátima Rizzo comia pastéis com as filhas e netas no local e afirmou que evita carne.

— Quando eu como, só pego o de queijo — disse ela.

OPERAÇÃO YULIN

Na sexta-feira, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e o Procon realizaram a quarta fase da operação Yulin. Quatro chineses que trabalhavam em lanchonetes do Centro e de Vila Isabel foram levados porque estavam sem documentos. Segundo a Superintendência, foi confirmado que dois deles estavam em situação análoga a trabalho escravo. Eles trabalhavam sem receber desde que chegaram ao Brasil, em 2013, e viviam em situação precária nas pastelarias.

Fonte: OGlobo