Após primeiro turno conturbado, Teresina tem votação tranquila

Após primeiro turno conturbado, Teresina tem votação tranquila

/Apesar de alguns problemas pontuais, a votação do segundo turno em Teresina foi tranquila e sem filas em grande parte das zonas eleitorais

O segundo turno das eleições presidenciais em Teresina, disputadas pela então presidente Dilma Rousseff e pelo tucano Aécio Neves (PSDB), foi bastante tranquilo se comparado ao pleito no primeiro turno. As filas se concentraram, em sua maioria, às 8h, logo após a abertura das seções eleitorais. Mas por volta de meio-dia a maioria dos locais de votação já não tinham mais filas.

Na zona Sul de Teresina as pessoas acordaram cedo para votar. Antes da abertura das seções, os eleitores já faziam fila para exercer o direito de cidadão. No Centro Estadual de Educação em Saúde Monsenhor José Luis Barbosa Cortéz não foi diferente: “Acho que as pessoas poderiam votar com ainda mais rapidez se houvesse um sistema melhor para atender as pessoas com prioridade. Quando chegam três idosos, colocam os três logo na frente, e isso gera demora. Deviam ficar intercalando, pois querendo ou não eles demoram um pouco mais”, afirma a administradora Fabíola Vieira. “Tem gente que tem problema na digitação, porque tem muitas pessoas que se atrapalham na hora”, complementa a aposentada Margarida Maria Vieira.

Já a aposentada Maria Luiza Mouzinho, que também vota no Monsenhor José Luis Barbosa Cortéz, reconhece que o segundo turno foi bem mais tranquilo que o primeiro, mas ela cobra que os mesários deveriam ter um treinamento melhor: “Os próprios mesários não estão trabalhando direito, tem uns que são muito enrolados. Deveriam ter mais pra ajudar as pessoas”, diz.
Na zona Leste não houve tumulto, mesmo em seções movimentadas como o Colégio Madre Savina, localizado no bairro Jockey. As pessoas votaram em um fluxo constante, sem maiores problemas: “Está sendo bem mais rápido que o primeiro turno, porque só tem um candidato. Eu não passei nem 2 minutos na fila”, afirma a bioquímica Bárbara Gomes, que votou no local.

Ainda na zona Leste, quem teve dificuldade para votar no segundo turno foram os eleitores do CETI Profª Darcy Araújo, que reclamaram da má distribuição dos eleitores nas seções do colégio em extensas filas: “No primeiro turno eu passei três horas aqui, mas nesse segundo turno vai demorar também. Acho que por aqui as pessoas estão mal distribuídas, porque tem seção que não tem ninguém, enquanto essa daqui tá lotada”, afirma o autônomo Willames Franco da Silva.

Na zona Sudeste as coisas foram ainda mais tranquilas. A Escola Municipal Parque Itararé, que é uma das locações mais movimentadas da região, estava tranquila e sem filas: “Só fiz chegar e votei, não teve fila nem ninguém atrapalhando, não. Só teve dificuldade na hora da confirmação da biometria, tive que colocar três dedos pra aparecer lá”, relata a dona de casa Antônia de Jesus.

Na zona Norte também não houve grandes filas. Na Escola Municipal Antônio Dilson Fernandes, localizado próximo ao Polo Cerâmico de Teresina, as filas se concentraram apenas durante a manhã: “No primeiro turno aqui tava muito lotado, mas hoje não tinha fila de jeito nenhum. A gente só fez chegar e votar”, diz Rita de Cássia Brochado. Mas a amiga Luciana Maria de Sousa não teve a mesma sorte e não conseguiu votar por problemas com a sua documentação: “Meu título estava desregular, fui tentar resolver e disseram que não tinha mais nenhum problema. Fiz até o recadastramento biométrico, mas quando cheguei aqui não consegui votar”, lamenta.

Cidadãos desrespeitam a Lei Seca

A Lei Seca proíbe o comércio de bebidas alcoólicas no Piauí e em mais 15 estados brasileiros, incluindo o Maranhão, no dia da eleição. Em Teresina e Timon a reportagem flagrou pessoas consumindo álcool em bares durante toda a manhã, o que demonstra que parte da população, ou não sabe da lei, ou não tem interesse em cumpri-la.

A legislação não é nacional, por isso cabe a cada governo estadual decidir junto à Secretaria de Segurança Pública se deve ou não haver a venda de bebidas alcoólicas no dia da votação. Em Teresina foi flagrada a venda de bebidas em bares na Avenida Honório de Paiva (zona Sul), Rui Barbosa (zona Norte) e Curva São Paulo (zona Sudeste). Segundo o comerciante Alberto Pinto, proprietário de um bar na Curva São Paulo, a venda de bebidas alcoólicas durante o período eleitoral se dá porque os clientes estão bebendo desde ontem. Na Avenida Rui Barbosa, um dos cidadãos que estavam bebendo se justificou mostrando o comprovante de votação.

Faltosos - O eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral no dia da eleição deve justificar a ausência por meio do Requerimento de Justificativa Eleitoral (RJE), que deve ser preenchido e entregue no dia da votação. O formulário é obtido grautitamente em cartórios, postos de atendimento ao eleitor, nos sites do TSE e tribunais regionais eleitorais e, no dia do pleito, nos locais de votação e justificativa. Quem optar por justificar no dia da eleição deve comparecer aos locais de votação portando o título de eleitor e um documento de identificação com foto.

Os eleitores que não entregarem o requerimento de justificativa no dia da votação deverão apresentá-lo pessoalmente em um cartório eleitoral, ou ainda enviá-lo (por carta) ao juiz da zona eleitoral onde é escrito até 60 dias após o pleito. O requerimento deve ser acompanhado da documentação do eleitor que comprove a impossibilidade de ter comparecido à votação.
Vale lembrar que a justificativa só é válida no turno que o eleitor não compareceu por estar fora de seu domicílio eleitoral. Por isso, quem não votou no primeiro precisa votar no segundo, ou justificar o voto mais uma vez, obedecendo aos mesmos requisitos e prazos para cada um deles dos pleitos em que foi faltoso.

Eleitores atrasados ficam sem votar

Com o fechamento dos portões às 17 horas, muitos eleitores deixaram de exercer o seu papel neste domingo (26), no qual foi disputado o segundo turno do pleito. Mesmo com os apelos e a tentativa em convencer os fiscais a darem um limite de tolerância, nada adiantou e a lei foi cumprida. Nos colégios eleitorais da capital piauiense, apesar do aparente clima de tranquilidade, os casos se repetiam ao passar de cada minuto, a alegação mais usual para o atraso foi o calor escaldante da manhã e do início da tarde.

O estudante Igor Ferreira foi um dos eleitores que deixaram para votar no último momento, quando chegou à Escola Municipal Valter Alencar, no Planalto Uruguai, o relógio apontava para 17h01. “Aqui sempre é muito movimentado, então sempre procuro vir nesse horário, hoje não deu certo, cheguei um minuto depois do fechamento”, destaca. O eleitor, porém, não defende a adoção de um limite. “A votação começa cedo, eu vim agora, então de certo modo existia esse risco, falta de faixa de tempo é que não é”, complementa.

Decepcionada, a dona de casa Orleane Gomes passou pela mesma situação. “Eu queria tanto votar, mas com os afazeres domésticos acabei adiando e também tem a questão do calor, no fim da tarde pelo menos é mais ameno”, comenta. O lamento se estendeu pelo medo de o candidato com que simpatiza não alcançar a vitória. “Desejo o melhor para a minha família, então queria ter escolhido, ajudado”, constata.

Usuários reclamam de transportes públicos


Alguns eleitores encontraram dificuldades para ir aos locais de votação por causa do transporte público oferecido no último domingo (26). Segundo os eleitores, os ônibus demoravam mais de meia hora para passar nos pontos, o que causou transtornos para muita gente que vota longe das residências.

As demoras chegaram a quase uma hora em paradas de ônibus da Avenida Frei Serafim: “Tá horrível, demorei 40 minutos na parada. Agora estou tentando ir para o conjunto Santa Bárbara, e já cansei de esperar. Quando fui votar não tive tanta dificuldade, mas agora pra voltar tá péssimo”, afirma Miran Borges. “O meu ônibus demora muito, porque tem poucos ônibus. Hoje, por ser domingo de eleição, piorou mais”, diz Francisca Carvalho. “Tá demorando muito, tô querendo ir para Porto Alegre. Antes demoravam 15 minutos, já estou aqui há 30 minutos e não chega”, complementa Elton Rossi.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina para obter mais informações sobre o déficit de ônibus durante o segundo turno, mas não obteve resposta até o fim desta edição.




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Fonte: Lucrécio Arrais