Artesãos estão desanimados com as vendas de Natal no bairro Poti Velho

Artesãos estão desanimados com as vendas de Natal no bairro Poti Velho

A estratégia encontrada é produzir peças menores que sejam mais baratas que caibam no orçamento do comprador

O clima de Natal já começou no Polo Cerâmico do Poti Velho, zona Norte de Teresina, a procura pelos famosos presépios em argila fez os ceramistas apressarem na produção do artesanato. Mesmo com o interesse dos clientes, os artesãos estão desanimados com as vendas deste ano, que caíram 40% em relação a 2013, por conta da Copa do Mundo e das eleições. A estratégia encontrada é produzir peças menores que sejam mais baratas que caibam no orçamento do comprador.

Vendendo artesanato há 11 anos, Tereza dos Santos já começou sua produção de minipresépios no começo do mês de outubro; mesmo com a grande procura, ela acredita que as vendas de Natal devam ser a piores dos últimos cinco anos. “Nós começamos a confeccionar as peças por conta da procura dos clientes. Mas este ano ninguém do Polo vendeu bem; isso tudo por causa dos eventos que aconteceram em 2014, a Copa do Mundo e agora as eleições. Os clientes sumiram, por isso, não estou muito animada com as vendas para o Natal”, relata.

Por ser um trabalho manual que exige habilidades e tempo, as peças de artesanato possuem um custo alto, o que faz muitos clientes pesquisarem muito, levarem apenas algum produto mais barato ou mesmo ficar só no desejo e esperar realizar a compra em outra ocasião. É o que Michelini Azevedo está fazendo. Apaixonada por decoração, há tempos que a auxiliar financeira almeja fazer uma ornamentação natalina com peças em argila, mas ainda não encontrou nada que não pese no bolso. “Já comecei a procurar os enfeites natalinos para a minha casa, estou pesquisando os preços e ver o que dá para levar. Eu gosto desse estilo rústico, bem característico da nossa terra; ficaria muito bonito ao lado de uma boa iluminação. Espero poder montar minha decoração este ano”, declara.

O preço dos presépios em argila ou barro pode variar muito, dependendo do tamanho e do trabalho que levou para ser feito. Um minipresépio completo sai em média por R$ 70 a R$ 100. Já os de tamanho médio, com 13 peças, têm um custo de R$ 1.300 a R$ 1.500. Existem peças de 1,80 metro feitas por encomendas para decoração de empresas e órgãos públicos que não saem por menos de R$ 10 mil.

Na loja em que Kelly Laiane de Sousa trabalha, apenas vende os artigos natalinos em tamanho médio e grande, mas o artesão terá que fazer peças menores para atrair os clientes. Também desanimada com as vendas deste ano, a loja ainda nem começou a confeccionar os presépios que devem ficar prontos somente na próxima semana. “Em 2013, nós começamos a produzir as peças de Natal em julho, pois a demanda era tão grande que não podíamos parar. Este ano está mais parado, os primeiros presépios devem sair na próxima semana, inclusive em tamanhos menores que costumamos confeccionar, pois é o que está mais vendendo”, revela.

Concurso dá visibilidade ao artesanato do bairro

Devido ao grande sucesso do “Arte Natal Poti”, o concurso de presépios e decorações natalinas do Polo de Cerâmica criado em 2013, este ano o evento ganha mais uma edição. A competição deste ano ainda está em fase de planejamento, mas deve ser realizada no mês de dezembro.

O ganhador do ano passado, Ronaldo Teixeira, revela que o concurso ajudou a alavancar as vendas do ano passado, por dar visibilidade ao trabalho dos artesãos. Além de ser um desafio para cada artista em confeccionar peças originais para evento. “Eu ganhei com o meu presépio de temática nordestina, a ideia era sair do tradicional.

Todos os personagens da cena do nascimento de Jesus foram representados por trabalhadores típicos do Piauí. Além dos trajes de Maria e José serem nordestinos. Outro diferencial era que Jesus não estava na manjedoura. Na minha obra ele estava sendo amamentado por Maria para representar a importância do leite materno e os animais eram também do Estado, coloquei boi, vaca, jumento, bode e a galinha caipira”, explica.

Ainda segundo o artesão, devido a visibilidade do concurso, o presépio temático feito exclusivamente para o evento foi vendido no primeiro dia de exposição, o que fez produzir mais três presépios iguais que também foram comprados rapidamente. “Como as peças são mais detalhadas, elas dão mais trabalho para fazer, demora cerca de 26 dias para confeccionar um completo, por isso não é tão barato. Já estou fazendo o presépio nordestino para este ano e espero que venda bem”, declara Ronaldo.

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Fonte: Rhauan Macedo