Autoescolas podem parar em protesto contra simuladores

Nova norma tem um impacto financeiro muito grande sobre as autoescolas

Ainda não há data definida, mas os sindicatos das autoescolas e dos instrutores do Piauí já definiram que vão realizar uma manifestação já na semana que vem. A intenção é protestar contra a obrigatoriedade da implantação de aulas em simuladores, medida que passa a valer este ano por determinação do Conselho Nacional de Trânsito. Os donos de autoescolas cogitam fazer um protesto em frente à Assembleia Legislativa do Piauí e de lá seguir para o Palácio de Karnak, sede do governo do estado.

De acordo com o presidente do sindicato das autoescolas, Igor Camarço, a nova norma tem um impacto financeiro muito grande sobre os centros de formação de condutores do estado, e que a maioria desses estabelecimentos não tem como arcar com os custos de oferecer aulas nos simuladores de direção automotiva.

?Além do custo do próprio simulador, que pode chegar a R$ 40 mil, o dono de autoescola precisa também disponibilizar uma sala com ar condicionado, sistema de câmeras, salário do instrutor e aluguel do software. Resumindo, eu creio que o aumento do custo para o aluno da primeira habilitação deve chegar a 35% no nosso estado com essa nova medida?, diz Camarço.

A determinação do Contran entrou em vigor no último dia 1º, mas as autoescolas ainda estão passando por um período de adaptação. Pela nova regra, são adicionadas às 20 aulas práticas de direção um total de cinco aulas no simulador, sendo cada aula com 30 minutos de duração. O objetivo é reproduzir condições nem sempre encontradas no tráfego real, como a condução sob chuva e outras condições adversas.

?Não temos condição de nos adequar a isso. No momento, a grande maioria dos alunos não tem como arcar com esse custo adicional. Basta ver que, mesmo com o parcelamento, ainda há muita gente sem condições de tirar a carteira, imagine com mais esse custo?, pontua Igor Camarço.

O sindicalista acredita que há interesses diversos por trás dessa nova determinação. ?Está bem claro que trata-se de lobby político. Para pegar um exemplo: só em São Paulo são mais de 4 mil autoescolas, e já foi dito que cada simulador pode custar R$ 40 mil. Imagine o volume de investimento envolvido nisso. Dá para financiar várias campanhas políticas?, argumenta.

Ao mesmo tempo em que critica a nova determinação, Igor Camarço sugere uma outra mudança. ?No nosso modo de ver, seria muito mais útil adicionar essas cinco horas aula ao programa normal de aulas práticas, o que faria subir para 25 aulas o treinamento prático. Testei o simulador e não acho que ele realmente seja tão útil assim para os alunos. Ele não é capaz de representar o dia a dia do trânsito?.

Autoescolas do interior sofrerão com nova regra

Ainda de acordo com o presidente do sindicato das autoescolas, o problema maior vai residir nos estabelecimentos do interior. ?Já fui informado de que o software do simulador só será fornecido para auto-escolas que possuírem, no mínimo, 30 alunos/mês. Existem localidades no interior do Piauí que, se você juntar três ou quatro cidades, ainda não conseguirá alcançar essa quantidade de alunos por mês. Ou seja, esse será mais um problema?, argumenta Camarço.

Outro ponto questionado pelo sindicato diz respeito às atuais condições enfrentadas pelas autoescolas em regiões afastadas da capital. ?Hoje, esses centros de formação de condutores sofrem com faltas constantes de energia elétrica e de internet, por exemplo. Ou seja, levando esse quadro em consideração, nós vemos que é praticamente impossível para esses estabelecimentos cumprirem a medida dos simuladores. Além disso, fica a pergunta relativa à manutenção. Imagine o custo necessário para fazer o conserto de um simulador que apresente um problema em Corrente, no sul do estado?.

Atualmente, o Piauí possui 120 autoescolas, das quais 64 estão localizadas na capital, Teresina.

Fonte: Dowglas Lima