Avó de bebê que morreu em UTI de hospital em SP fala em falta de higiene

UTI Neonatal do Irmã Dulce, em Praia Grande, precisou ser interditada


Avó de bebê que morreu em UTI de hospital em SP fala em falta de higiene

A avó do bebê recém-nascido que faleceu em uma UTI Neonatal do Hospital Irmã Dulce em Praia Grande, no litoral de São Paulo, na última semana, afirma que a causa da morte do bebê foi uma infecção hospitalar. Ainda de acordo com Roseli Santiago, a falta de higiene pode ter motivado o contágio. Além do neto de Roseli, outros dois bebês estão infectados. A UTI Neonatal foi interditada por causa da presença de bactérias.

Kauã Henrique nasceu com 2,760 quilos e 48 cm. Segundo a avó, ele era um bebê prematuro de 8 meses, e morreu depois de 27 dias no hospital. Com dois dias de vida ele foi levado para a UTI neonatal e, enquanto se recuperava, veio a notícia que a criança havia contraído a bactéria ?acinetobacter baumannii?. ?No 10º dia em que ele estava internado foi constatado que o bebê estava com infecção hospitalar. Teve uma conversa das próprias funcionárias da neonatal afirmando que ele tinha pegado a bactéria?, diz.

A avó do recém-nascido denuncia a falta de higiene no hospital. Ela diz que nem todos os funcionários que entravam na UTI neonatal usavam roupa especial. Além disso, ela fala que a mesma pessoa que limpa o local reservado para os recém-nascidos também limpava outras salas. ?Quando ele foi para a Vigilância Sanitária eles começaram a pedir para a gente colocar avental e touca. A gente já colocava para entrar, mas existia muito passeio dentro da UTI?, conta.

A causa da morte no atestado de óbito emitido pelo hospital é broncopneumonia bilateral, mas o corpo do bebê foi levado para o serviço de verificação de óbito do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos. O laudo com a causa da morte deve ficar pronto em março.

A avó diz ainda que dias antes outras duas crianças morreram, e também estavam com a bactéria. Umas delas era o neto de Vanete Rodrigues de Freitas, que morreu em 17 de janeiro, com dois meses de vida. ?Há um certo tempo, 15 dias ou um mês, a gente veio vendo que ele estava diferente. Ele veio mudando de cor, e eles falaram que era uma bactéria, mas até então a gente não sabia que era infecção hospitalar?, conta a dona de casa.

Outras duas crianças que também estão com a bactéria continuam internadas em estado grave. O hospital Irmã Dulce isolou a UTI neonatal. Outro bebê, que também está na UTI, mas não foi infectado pela bactéria, segue internado em estado grave. ?A gente constatou que essa bactéria era resistente aos antibióticos, então é o que a gente chama de infecção hospitalar. A partir daí nós tomamos as medidas que nós achamos necessárias?, explica o assistente da diretoria do Irmã Dulce, Airton Gomes.

Sobre as denúncias de falta de higiene, a assessoria de imprensa do hospital informou que o diretor que pode falar sobre o caso está em São Paulo e só poderá comentar o assunto nesta quinta-feira (7). Já sobre a UTI Neonatal, o hospital diz que todas as providências em relação ao caso foram tomadas.

Ainda segundo a assessoria de imprensa, dos casos específicos apontados por familiares, o hospital poderá se pronunciar na quinta-feira após consulta ao prontuário médico para mais detalhes. A assessoria adverte que se tratam de situações clínicas gravíssimas e que não se pode afirmar que o óbito ocorreu pela presença de bactéria, mas em razão de outras questões relacionadas decorrentes de uma gravidez de risco e da própria prematuridade.

Fonte: G1