"Bati, mas não matei", diz jovem sobre briga com morte em festa

"Bati, mas não matei", diz jovem sobre briga com morte em festa

Outras três pessoas que estavam na festa compareceram ao setor de homicídios para ser ouvidas.

Envolvido na confusão que resultou na morte do universitário Denis Papa Casagrande, de 21 anos, em uma festa no campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no sábado (21), Anderson Mamede, de 20 anos, assumiu que agrediu a vítima com um skate, mas negou que tenha esfaqueado e matado o estudante. "Eu bati nele [com o skate] porque ele assediou a minha namorada, mas não fui eu que dei a facada, eu não matei e não estava com a faca", disse o rapaz ao deixar o setor de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas na manhã desta segunda-feira (23) em uma viatura policial.

De acordo com a Polícia Civil, ele começou a ser ouvido, mas foi levado pelo delegado Rui Pegolo, da homicídios, para um local não divulgado e depois retornará à delegacia para continuar os esclarecimentos. Mamede não é aluno da Unicamp e também foi ferido com uma facada durante a briga na festa. Até esta publicação, ele não era considerado suspeito pelo crime, e sim uma testemunha.

Outras três pessoas que estavam na festa compareceram ao setor de homicídios para ser ouvidas. A namorada e o amigo de Mamede que estavam na festa falaram com a polícia após a briga na delegacia, mas o conteúdo não foi divulgado. A faca usada no crime também não foi encontrada.

Ciúmes

Papa Casagrande morreu após ser esfaqueado durante uma confusão na praça Ciclo Básico. A agressão teria ocorrido, segundo apuração inicial da Guarda Municipal, depois de uma discussão motivada por ciúmes. O delegado do setor de homicídios de Campinas informou que fez diligências no campus da Unicamp e também no Instituto Médico Legal (IML) da cidade na manhã desta segunda-feira.

Imagens

A Polícia Civil busca imagens de câmeras de seguranças que possam auxiliar a investigação sobre a morte do universitário. O delegado titular do 7º Distrito Policial (DP), Cássio Biazolli, instaurou inquérito na manhã desta segunda-feira, mas a investigação será compartilhada com a equipe do delegado Rui Pegolo, que fará a coleta de depoimentos.

A "força-tarefa" da Polícia Civil tem como objetivo agilizar o trabalho de apuração do caso, segundo o delegado do 7º DP. Ele explica que a delegacia de Barão Geraldo fará a parte burocrática do inquérito, como juntada de depoimentos e eventuais pedidos à Justiça, e o setor de homicídios ficará responsável pelos depoimentos e outras averiguações do caso. De acordo com nota divulgada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP), até o momento não está prevista reconstituição do caso.

Homenagem

A família de Casagrande é de Piracicaba, mas ele morava há dois anos com amigos no distrito de Barão Geraldo para fazer o curso de engenharia de controle e automação na Unicamp. Em uma publicação em rede social, os moradores da república fizeram uma homenagem. ?Lamentamos a perda do nosso irmão [...] Era um grande amigo de todos?, diz a mensagem.

Na publicação da "República Cativeiro", os colegas dizem que a ausência ?será sentida por todos moradores? e desejam força para a família do estudante. ?Para os amigos fica a lembrança de sua fala engraçada, coçada na cabeça quando discutia algo e sua risada cativante. Vai com Deus amigo?, escreveram.

O caso

A briga ocorreu por volta das 3h30 da madrugada na praça do Ciclo Básico da universidade. Os jovens estavam em uma festa que ocorreu no teatro de arena e pela divulgação que consta em redes sociais foi organizada pela Rádio Muda, como ?Festival de rádios livres?, a rádio universitária que funciona dentro do campus. Na programação constava a apresentação de uma banda a partir das 23h. O G1 tentou entrar em contato com a rádio, mas não encontrou nenhum representante para comentar o assunto.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado às 3h35 para socorrer uma vítima de espancamento e com ferimentos feito à faca. O estudante foi atendido e encaminhado para o Hospital de Clínicas da Unicamp, mas não resistiu.

"Invasão"

Em nota, a Unicamp lamentou o ocorrido, afirmou que a festa não era autorizada e que vai apurar o caso. Os familiares de Papa afirmam que pelo menos 3 mil pessoas participaram do evento e questionam a falta de segurança no local. "O estado tem a obrigação de cuidar para que as normas de segurança sejam cumpridas. Se houvesse uma revista ou um policiamento mais eficaz, ninguém teria entrado com uma faca no campus e essa tragédia teria sido evitada", afirmou o tio do universitário Geraldo Papa.

A Polícia Militar afirmou que não foi localizada nenhuma solicitação da Unicamp para comparecer ao local e que a corporação não tinha conhecimento sobre a festa.

Fonte: G1