Biodiesel é produzido a partir da borra de café, diz pesquisa da USP

Estudo aponta que combustível obtido do óleo essencial do grão pode ser utilizado para abastecer

Uma pesquisa do Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o óleo essencial extraído da borra de café é uma matéria-prima viável para a produção de biodiesel. Segundo o estudo, o biodiesel pode ser produzido em pequenas comunidades, para o abastecimento de tratores e máquinas agrícolas.

A elaboração do combustível a partir do resíduo foi testada pela professora de química Denise Moreira em escala laboratorial. De acordo com ela, ?no Brasil, há um grande consumo de café, calculado em duas a três xícaras diárias por habitante, por isso a produção de resíduo é intensa em bares, restaurantes, casas comerciais e residências?. A professora afirma que o óleo essencial, responsável pelo aroma do café, já é utilizado, mas sua extração diretamente de grãos de alta qualidade é muito cara. A borra do café também contém óleos essenciais, que podem contaminar o solo quando o resíduo é descartado no meio ambiente.

O processo de obtenção do biodiesel é o mesmo adotado com outras matérias-primas. ?O óleo essencial é extraído da borra de café por meio da utilização de etanol como solvente?, conta Denise. ?Após a extração, o óleo é posto em contato com um catalisador alcalino, que realiza uma reação de tranesterificação com a qual se obtém o biodiesel?, diz à Agência USP. As características dos ácidos graxos do óleo essencial do café são semelhantes aos da soja, embora estejam presentes em menor quantidade.

A partir de um quilo de borra de café é possível extrair até 100 mililitros de óleo, o que geraria cerca de 12 mililitros de biodiesel. ?No Brasil são consumidas aproximadamente 18 milhões de sacas de 60 quilos de café, num total de 1,08 milhões de toneladas, o que irá gerar uma quantidade considerável de resíduos?, aponta a professora.

Energia

?Todo o experimento para obtenção de biodiesel foi realizado em escala laboratorial?, explica Denise, que é professora do curso técnico de Química do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETPS), em São Paulo. ?O objetivo da pesquisa é mostrar aos alunos que é possível aproveitar um resíduo que é descartado no ambiente para a produção de energia?.

Segundo a professora, a implantação do processo de produção do biocombustível em escala industrial dependeria de um trabalho de conscientização da população para não jogar fora a borra de café, que seria recolhida para extração do óleo. ?Sua utilização é indicada para pequenas comunidades agrícolas, que produziriam seu próprio biodiesel para movimentar máquinas?, sugere.

Denise lembra que em algumas fazendas de café, a borra é armazenada no refrigerador para ser usada como fertilizante. ?Entretanto, seu uso frequente pode fazer com que os óleos essenciais contaminem o solo?, alerta. ?O aproveitamento desse resíduo para gerar energia pode não ser uma solução mundial, mas está ao alcance de pequenas localidades?, afirma a professora.

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Fonte: g1, www.g1.com.br