Brasil e Turquia continuarão em busca de saída negociada para Irã

Amorim reiterou também que o Brasil está convencido de que possíveis sanções "não funcionarão"

Brasília, 16 abr (EFE).- Brasil e Turquia darão continuidade a seus esforços diplomáticos em busca de uma solução pacífica e negociada sobre o polêmico programa nuclear desenvolvido pelo Irã, afirmaram hoje os ministros das Relações Exteriores dos dois países.

"São esforços diplomáticos que acontecem há seis ou sete meses e já houve várias consultas, que continuarão, pois o que tentamos é fechar as brechas que existem entre Irã e o grupo formado por Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha", declarou o ministro turco, Ahmet Davutoglu.

"Se não houver uma solução diplomática, haverá tensões no Oriente Médio", afirmou Davutoglu, em entrevista coletiva junto ao ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que o recebeu hoje em Brasília.

Amorim reiterou que a base da solução defendida por Brasil e Turquia é a proposta que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apresentou em setembro de 2009, de que o Irã armazene urânio enriquecido a 3,5% em um terceiro país, que o enriqueceria a 20% e depois o devolveria a Teerã.

"Não estamos querendo inventar", declarou Amorim sobre a proposta, que na época não foi aceita "por motivos políticos", que não especificou.

Amorim e Davutoglu concordaram em que "não é necessário uma modificação da essência" da proposta, mas um ajuste de "detalhes para que seja aceita por todas as partes envolvidas e se impeça que o Irã seja objeto das sanções que os EUA e outros países promovem nas Nações Unidas".

O ministro turco insistiu em que o objetivo é evitar "ataques, tensões militares e uma corrida nuclear", além do "isolamento" de algum país.

Segundo Davutoglu, a Turquia, como vizinha do Irã, "também sofreria as sanções", porque "há uma interdependência das economias regionais" e as medidas aplicadas contra um país repercutiriam em toda a região.

Amorim reiterou também que o Brasil está convencido de que possíveis sanções "não funcionarão", pois "serão muito fracas e não acontecerá nada", ou "serão muito duras e impactarão as camadas mais pobres da sociedade" iraniana.

Os dois ministros também discutiram na reunião diversos assuntos bilaterais e sobre os preparativos para a realização da terceira reunião do fórum da Aliança de Civilizações, uma iniciativa com o objetivo de promover uma aproximação entre os mundos árabe e ocidental.

Além disso, durante sua estadia em Brasília, o ministro turco teve uma breve reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fonte: UOL