Brasileiro de 17anos criou projeto escolar e fará curso em Harvard

Brasileiro de 17anos criou projeto escolar e fará curso em Harvard

Universidade americana aceitou 992 alunos; novo resultado sai em março.

Pelo menos um brasileiro está entre os 992 estudantes do mundo todo admitidos para a nova turma da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que começa as aulas em agosto de 2014 e se forma em 2018. O paulistano Henrique Vaz, de 17 anos, é o mais novo brasileiro a receber um "sim" de uma das universidades mais importantes do mundo. O resultado foi divulgado na sexta-feira (13), mas só os candidatos têm acesso, pois não há uma lista aberta ao público. O estudante também passou para a segunda fase do vestibular da Fuvest para economia.

Harvard faz as seleções em dois momentos independentes. Na primeira etapa, chamada de "early action", os candidatos precisavam enviar o "application" (espécie de vestibular americano) até o dia 1º de novembro. Um total de 4.692 estudantes fez isso. Desses, 3.197 deixaram a comissão ainda "em dúvida" e serão novamente avaliados na segunda etapa ("regular action"), junto dos demais candidatos que se inscreverem até 31 de dezembro. O resultado do processo regular sai em março. Ambas as seleções são para formar a turma que iniciará as aulas em agosto do ano que vem.

"Essa fase (early action) é mais arriscada porque só aprovam quem eles têm certeza que passaria na seleção regular. O resultado chegou numa sexta-feira 13, mas foi em boa hora, uma semana antes do meu aniversário de 18 anos", diz Henrique, que cursa o terceiro ano do ensino médio no Colégio Etapa, em São Paulo.

O estudante soube do resultado por meio de um e-mail enviado por Harvard. Em seguida, ele fez um login no site da universidade e encontrou um vídeo com uma mensagem de boas-vindas gravado por Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook e ex-aluno da instituição.

Henrique ainda tem dúvidas sobre a escolha do curso. Ele pensa em economia, ciências políticas, matemática e até em ciências da computação. Nos Estados Unidos, essa indecisão não é problema, pois lá o estudante pode cursar a universidade, optar por algumas disciplinas e decidir em até dois anos o curso que quer concluir.

"Em Harvard, em qualquer área que eu escolha vou estar bem, porque a universidade é muito boa em todas. Além disso, tenho muitos amigos lá, o que acaba me "puxando". Até comemorei a aprovação com eles via Skype", conta.

Se a carreira a seguir ainda é incerta, os planos para o futuro já estão traçados: Henrique quer trabalhar com educação. "Tenho um sonho muito grande de trabalhar no Ministério da Educação (MEC), por isso pretendia fazer economia e ciências políticas."

Além de Harvard, Henrique ainda vai aplicar para outras importantes universidades americanas, como Duke, Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Stanford, Yale, Columbia e Princeton, entre outras. Ele diz que precisa saber quais serão esses resultados para saber onde vai estudar de fato.

O jovem também vai precisar ter os retornos dos pedidos de bolsa estudo para se decidir. Nos Estados Unidos, as bolsas são oferecidas de acordo com as condições socioeconômicas da família do estudante. As matrículas no país geralmente ocorrem em maio.

Para Henrique, um dos pontos forte de seu "application" foi a variedade de suas atividades extracurriculares. A seleção americana inclui prova em inglês, cartas de recomendação, redações, entrevista e análise de atividades feitas fora da vida estudantil ? trabalhos voluntários e participação em olimpíadas, por exemplo, são bem vistos pelos avaliadores.

Há cinco anos, o jovem criou o projeto Vontade Olímpica de Aprender (VOA), que oferece aulas gratuitas a alunos de escolas públicas de São Paulo que desejam participar de olimpíadas de matemática, química e física, entre outras disciplinas. Atualmente, o projeto atende 120 alunos, e os professores são voluntários.

"Meu diferencial é que exploro todas as áreas. Além do VOA, participo de olimpíadas, tenho uma banda, canto no coral da escola e participo de eventos de simulações das Nações Unidas (ONU). O que me ajudou também foi que meus professores escreveram cartas excepcionais e tive o apoio do Prep Program [programa da Fundação Estudar, que prepara os candidatos]", afirma.

Fonte: G1