Brasília é celebrada em bienal Internacional de Arquitetura

A capital projetada surge no período de forte efervescência econômica e cultural do Brasil

A representação brasileira na 12ª Bienal Internacional de Arquitetura celebra a cidade de Brasília no ano em que a capital do Brasil comemora 50 anos como o grande monumento da arquitetura moderna brasileira. O curador da mostra, Ricardo Ohtake, selecionou um grupo de arquitetos de gerações posteriores à criação da cidade, que mantém vínculos expressivos com a proposta urbana idealizada por Lucio Costa e com as edificações de Oscar Niemeyer.

A capital projetada surge no período de forte efervescência econômica e cultural do Brasil. ?Enquanto o desenvolvimento nacional se evidencia pelo forte surto industrial e pelo avanço de obras de infraestrutura energética, de transporte e urbana, nas artes despontam a bossa nova, o cinema novo, o teatro de dramaturgia brasileira?, explica o curador.

Nas décadas de 1930, 40, e 50 são apresentadas as propostas fundamentais do racionalismo: o edifício do Ministério de Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, de Le Corbusier e equipe brasileira de Lucio Costa, incluindo Oscar Niemeyer (1936); a Pampulha, conjunto com capela, casa de baile, iate clube e cassino, em Belo Horizonte, MG, de Oscar Niemeyer (1942); os inúmeros projetos publicados no livro Brazil Builds, de Philip Goodwin (1943, MoMA, Nova York); os projetos de Vilanova Artigas e grande grupo de arquitetos paulistas (1955-70); e a capital federal (1956-60), ápice de um processo que germinava no país.

Logo após a inauguração de Brasília, na contracorrente desta próspera atmosfera, instaura-se a ditadura. Segundo Ohtake, neste momento a arquitetura brasileira torna-se brutalista, conforme tendência mundial, porém com algo característico, notado pela leveza e engenhosidade da estrutura. As gerações nascidas após a construção da cidade preservam alguns princípios arquitetônicos da nova capital e entre elas estão os representantes do Brasil na Biennale di Venezia. ?São os profissionais que iniciam suas carreiras já na fase da redemocratização do país e pertencem a diversos matizes políticos, já que, com a globalização, dissolvem-se os territórios das antigas posições direita x esquerda, talvez para inaugurar um novo antagonismo, establishment x povo?, comenta Ohtake.

Na retomada do modernismo que de certa forma se confunde com o racionalismo, estão Mario Biselli e Artur Katchborian, ao manterem em seus projetos determinadas formulações, como leveza e linhas retas. Ambos acrescentam ao legado moderno a contribuição da indústria na construção. E Gustavo Penna.

A ?conversa? com o meio ambiente, negada pelo racionalismo, está presente na obra de Ângelo Bucci que, curiosamente, ao soltar a construção do solo, acaba por preservar a natureza. Já a dupla Daniel Corsi e Dani Hirano estabelece o diálogo com a grande paisagem, atuação rara por exigir corajosa e ousada interferência.

Fonte: Assessoria