Cabeleireira transexual põe casa à venda por R$ 90 mil para mudar de sexo no Piauí

Com o dinheiro, ela acredita que terá condições de pagar o procedimento que custa R$ 42 mil.




 

Em agosto de 2014, a cabeleireira Jenny Kate Machado dos Santos, 31 anos, foi a primeira transexual piauiense a conseguir na justiça o direito de mudar de nome e gênero. Ela também foi pioneira ao se casar numa cerimônia religiosa.

Agora, Jenny Kate trava outra batalha para conseguir fazer a cirurgia de Redesignação Sexual (SRS), popularmente conhecida como mudança de sexo. Em busca deste sonho, a cabeleira pôs à venda a própria casa, localizada na cidade de Barras, Norte do Piauí.
 

Com o dinheiro, ela acredita que terá condições de pagar o procedimento que custa R$ 42 mil. "Este procedimento cirúrgico é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a autorização da cirurgia dura muito tempo para acontecer. A estimativa de espera na fila é de até 10 anos.

Como estou com quase 32 anos, não desfrutarei desta paz quando enfim conseguir esta liberação. Por isso, quero fazer o procedimento na rede particular com um especialista que já me indicaram e disseram que o resultado é excelente", afirmou Jenny Kate Machado.

Jenny é casada com Rogério Ramos há quase seis meses. A cabeleireira está cobrando R$ 90 mil pela residência e explica que além de custear a cirurgia, o restante do dinheiro será utilizado para um pequeno cômodo onde irá morar com o marido que trabalha como seu auxiliar no salão. "Ano passado vendemos nossa casa para eu operar, mas não foi possível fazer o procedimento porque antes era necessário apresentar uns laudos e eu não tinha. Então, compramos um terreno e começamos a construir nossa casa.

Agora que já mudei o nome e gênero nos documentos não vou precisar mais de laudos. Preciso apenas vender minha casa e assim realizar um sonho almejado desde pequena. Este dinheiro vai servir para fazer o procedimento, pagar algumas dívidas que ficaram da obra e fazer um canto pra nós", disse. Jenny Kate disse que fazer a cirurgia a deixará realizada. "Minha adolescência foi muito conturbada, pois por não me identificar como garoto, sempre pensei em morrer porque nunca quis ser desta maneira. Me perguntava muito por que meus primos e amigos eram normais e só eu era diferente. Não que ser transexual seja anormal, mas na época eu me sentia assim. Depois da cirurgia, me olhar no espelho e me ver totalmente mulher será único", revelou a cabeleira. Jenny era Jonny Jenny Kate nasceu Jonny, mas esta é uma parte da história que a cabeleira não gosta muito de lembrar. Em poucas palavras, ela relatou um pouco da infância e contou que mesmo menino, usava escondido da família, batons, sandálias, saias, vestidos e outros acessórios femininos. Também disse que amava brincar de casinha, fazer comidinha e com bonecas, consideradas brincadeiras de meninas.

Antes de decidir pela mudança do corpo e adequação ao gênero, Jonny chegou a casar com uma mulher e a relação durou sete anos. A união matrimonial terminou quando Jonny finalmente viu que gostava de pessoas do mesmo sexo. "Essa foi a parte mais difícil da minha história, pois ela era uma pessoa bacana e que não merecia ter gostando de alguém que no fundo não era quem ela pensava. Era sempre difícil cada noite e cada dia. A angústia tomava conta de mim. Nos separamos duas vezes e eu tentava me afirmar como gay, mas não conseguia, me sentia incompleta, então quando parei e vi que a cada dia, nós sofríamos mais então decidi dar um fim, um basta", lembrou. Após a separação, a cabeleireira conheceu e casou com Rogério Ramos em setembro de 2014 depois que conseguiu na Justiça a autorização para mudar nome e gênero nos documentos. Foi o primeiro casamento religioso com uma transexual no Piauí.





Fonte: G1