Campanha 'Jovem Negro Vivo' alcança 15 mil assinaturas destacando violência racial no Brasil

Campanha 'Jovem Negro Vivo' alcança 15 mil assinaturas destacando violência racial no Brasil

No Brasil, quatro em cada cinco rapazes de 15 a 29 anos assassinados são pretos ou pardos

Este Dia Nacional da Consciência Negra é mais uma ocasião para refletirmos sobre a violência contra os jovens negros. No Brasil, quatro em cada cinco rapazes de 15 a 29 anos assassinados são pretos ou pardos.

Em dez anos, o número de homicídios de jovens negros avançou 32,4%. O de brancos, nesse mesmo período, foi em sentido contrário: caiu 32,3%.

Por que a juventude negra é ceifada — em maior grau de intensidade e em maior número que a branca?

A Anistia Internacional avalia que "as consequências do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens e aos territórios das favelas e das periferias" contribuem com esses dados alarmantes.

Por isso, a ONG lançou a campanha “Jovem Negro Vivo”. Em dez dias, o manifesto alçancou 15 mil assinaturas (assine você também).

Alguns nomes de peso foram fundamentais para espalhar a ação pró-vida. Entre eles, a atriz Zezé Motta e a cartunista Laerte Coutinho.

Com essa ação, uma das tentativas da Anistia Internacional é alertar para o racismo institucional vigente no País. Isto é, o conjunto de práticas culturais e mecanismos sociais que excluem os negros, seja por negar-lhes direitos, garanti-los de forma mais precária ou oferecer-lhes menos oportunidades.

A cor da pobreza e a manutenção de preconceitos relacionados a fenótipo ajudam a explicar esse pano de fundo. As desigualdades raciais perpassam a esfera pública, seja no mercado de trabalho, seja na partida de futebol no estádio, seja na cena da (in)segurança pública.

Estudo concluído em abril deste ano mostra que a Polícia Militar de São Paulo mata três vezes mais negros do que brancos.

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) detectou que o número de abordagens a pessoas negras é bem superior ao de brancas.

A taxa de flagrantes chega a ser o dobro — o que deixa o negro "no centro de uma vigilância mais ostensiva por parte dos policiais militares", diz a pesquisa.

Esse racismo institucional, que arregaça as mangas, deve ser reconhecido e repudiado. Hoje, menos 8% dos assassinatos de jovens negros vão para o tribunal, segundo a Anistia Internacional.

É a evidência de que a impunidade resiste e, por isso, o alerta para a violência contra a juventude negra deve ser pleno.

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Fonte: Brasil Post