Nissan March 2015 com novo motor 1.0 de 3 cilindros traz novidades e surpresas ao mercado

Com novo motor 1.0 de três cilindros na linha 2015, March impulsiona os ambiciosos planos da Nissan

Quando a Nissan lançou o March nacional, em maio do ano passado, a proposta era que as vendas do hatch – até então importado do México – subissem das 1.276 unidades vendidas no mês anterior ao lançamento para três mil emplacamentos mensais. Desse modo, retomaria sua melhor média histórica no Brasil, obtida em 2012, antes que as cotas impostas pelo regime automotivo brasileiro atrapalhassem a performance comercial dos importados. De fato, as vendas do hatch nacionalizado cresceram gradativamente até atingirem 3.007 unidades emplacadas em dezembro. Em janeiro desse ano, com a média de vendas de automóveis no mercado brasileiro despencando 31% em relação a dezembro, o March também perdeu 11% das vendas – ficou em 2.670 unidades. Mas os planos da Nissan continuam os mesmos: vender 5 mil unidades mensais do March “made in Brazil” em 2016 e ter 5% do “share” de carros vendidos no próximo ano. Ou seja, quer dobrar a sua atual “fatia” do mercado nacional. Para chegar lá, conta com o novo motor 1.0 de três cilindros do March, com 77 cv, que chega às concessionárias em março.

Chamada de HR10, a nova motorização 1.0 12V foi desenvolvida no Brasil e é derivada da HR12 de 1.2 litro, utilizada em vários países. Fabricada no Complexo Industrial da Nissan em Resende, no Sul do Rio de Janeiro, ela já atende à norma de emissões Proconve L6 e substitui o motor 1.0 de quatro cilindros, com 74 cv, que movia as versões mais básicas do March. O antigo propulsor foi preservado apenas na “versão de entrada” Active, que mantém a carroceria anterior ao “facelift” apresentado no Brasil em maio e é vendida por R$ 32.290. Acima dela, já com visual “New March” e o novo motor 1.0 de três cilindros, está a versão Conforto, que custa R$ 35.990. Ar-condicionado e direção elétrica são de série. O March 1.0 S, disponível por R$ 37.990, acrescenta travas, vidros e retrovisores elétricos e chave com telecomando. A versão topo de linha com motor 1.0 é a SV, oferecida por R$ 40.990. Ela já inclui rádio e Bluetooth, farol de neblina, aerofólio, volante com comandos e rodas aro 15.

 Além dessas, existem as versões com motor 1.6 16 V de quatro cilindros, com 111 cv – nas configurações de equipamentos S, SV e SL. Tanto o novo motor 1.0 de três cilindros quanto o 1.6 da gama de March e Versa passam a contar com o sistema Flex Start, desenvolvido pela Bosch. Ou seja, dispensam o anacrônico tanquinho para partida a frio com etanol.

 Na versão topo de linha 1.6 SL, continua disponível o interessante sistema multimídia NissanConnect, a plataforma global da marca japonesa para a conectividade – que foi intensamente explorado na publicidade de lançamento do March nacional. Com tela de 5,8 polegadas sensível ao toque e atendendo a comandos de voz, o sistema inclui GPS e a possibilidade de interagir via Bluetooth com alguns dos aplicativos mais populares dos smartphones, como Facebook e GoogleSearch. Sob medida em tempos onde a “conectividade-dependência” não para de se alastrar.

Ponto a ponto

Desempenho – Com o baixo peso de 964 kg, os 77 cv da versão 1.0 SV avaliada dão uma boa relação de 12,51 kg/cv. O resultado disso é que o novo motor move o hatch com celeridade. Em relação ao motor de quatro cilindros usado anteriormente, o comportamento está mais esperto em giros menores, com o torque de 10 kgfm aparecendo mais cedo. Algo que sempre agrada quem dirige no trânsito urbano. Nota 7.

Estabilidade – O hatch da Nissan não torce muito e tem uma suspensão que deixa a carroceria rolar pouco nas curvas. Para de forma adequada quando solicitado e, em altas velocidades, se beneficia bastante da direção elétrica. A direção, que é absolutamente “leve” nas manobras de estacionamento, torna-se mais rígida em velocidades elevadas e dá a sensação de total controle do carro. Nota 8.
Interatividade – Os comandos do March são bem posicionados. A transmissão manual de cinco velocidades tem engates corretos, apesar de ser um tanto áspera. Conectar o celular ao Bluetooth do sistema de som da versão 1.0 SV é bastante simples. A retrovisão é boa, tanto nos espelhos externos quanto no interno, favorecido pelo amplo vidro traseiro. Nota 7.
Consumo – Segundo o InMetro, o novo March 1.0 de três válvulas atinge médias de 8,8/12,9 km/l com etanol em trecho urbano e estrada, respectivamente. Com gasolina, os números sobem para 10,3/15,1 km/l. O resultado foi a nota “A” no Programa Brasileiro de Etiquetagem, tanto na categoria quanto no geral. Na avaliação, com gasolina no tanque e em trânsito urbano, a média ficou em 13 km/l. Nota 10.

Conforto – A suspensão é até decente e absorve as irregularidades do terreno com razoável competência. Já o isolamento acústico não é assim tão eficaz. Ruídos do motor e da rodagem tem acesso ao interior da cabine. Os bancos também não chegam a estar entre os mais confortáveis da categoria. Nota 6.

Tecnologia – A grande novidade da linha 2015 do March é mesmo o novo motor 1.0 flex de três cilindros, que é uma derivação do 1.2 de três cilindros a gasolina adotado na Ásia. O propulsor é moderno e leve, com cabeçote e bloco em alumínio, além de abolir o “tanquinho” de gasolina que facilita a partida a frio nos motores “flex” mais antigos. A direção eletricamente assistida ainda é um diferencial tecnológico importante no segmento. A versão 1.0 SV avaliada vem com uma interessante lista que conta com CD Player com entrada auxiliar para MP3 Player/iPod, conector USB, Bluetooth, quatro alto-falantes, retrovisores elétricos e volante multifuncional. Nota 8.

Habitabilidade – Na frente, os ocupantes do March até se instalam bem. Já quem viaja atrás não tem tanta fartura de espaço. Apenas duas pessoas conseguem viajar ali decentemente. Um eventual terceiro ocupante do banco traseiro sentado no meio não contaria sequer com apoio de cabeça – uma falha lamentavelmente comum no segmento de compactos. Entrar e sair do March é até fácil, mas os vãos para guardar objetos de uso pessoal são pouco funcionais. O porta-malas leva módicos 265 litros. Nota 6.

Acabamento – No March, os plásticos rígidos dominam todo o interior. Não é preciso procurar demais para encontrar peças que apresentam rebarbas – os para-sóis, por exemplo. Certos detalhes do habitáculo, como a luminária frontal, parecem pobres demais para o padrão do carro e comprometem o conjunto. Já os puxadores das portas cromados ajudam a melhorar o aspecto. O volante herda o estilo dos que equipam os sedãs Sentra e o Altima. A padronagem dos bancos é simples, mas as costuras duplas contribuem para reforçar a aparência geral. Nota 6.

Design – As discretas mudanças no conjunto ótico e grade dianteira em relação àquele March que vinha importado do México modernizaram um pouco o hatch compacto da Nissan. Em termos estilísticos, o modelo se posiciona dentro da média da concorrência no segmento. Não é o que há de mais moderno e estiloso, mas também está longe de ser o mais antiquado. Nota 7.

Custo/benefício – Os valores de R$ 35.990 na versão Conforto, R$ 37.990 na versão S e R$ 40.990 na “top 1.0” SV são elevados, mas ainda competitivos em relação ao segmento. Nota 8.

Total – O Nissan March 1.0 SV somou 73 pontos em 100 possíveis.


Nissan March 1.0 SV

Motor: dianteiro, transversal, 3 cilindros em linha, 12 válvulas, comando duplo varável na admissão, flex.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.

Potência: 77 cv com gasolina/etanol a 6.200 rpm

Torque: 10 kgfm com gasolina/etanol a 4.000 rpm

Diâmetro e curso: 78 mm X 69,7 mm. Taxa de compressão: 11,2:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.

Pneus: 185/60 R15

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD e assistência de frenagem.

Carroceria: Hatch compacto em monobloco com cinco portas e cinco lugares. Com 3,83 metros de comprimento, 1,67 m de largura, 1,53 m de altura e 2,45 m de entre-eixos.

Peso: 964 kg.

Capacidade do porta-malas: 265 litros.

Tanque de combustível: 41 litros.

Produção: Resende, Brasil.

Lançamento mundial: 2013.

Lançamento no Brasil: 2014.

Itens de série: Ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, desembaçador traseiro com temporizador, direção elétrica progressiva, para-sol com espelhos cortesia para motorista e passageiro, porta-malas com iluminação, tampa de combustível com abertura interna, volante com regulagem de altura, chave com telecomando para abertura e fechamento das portas e do porta-malas, maçanetas internas cromadas, retrovisores, travas e vidros dianteiros e traseiros elétricos, aerofólio com brake light e lâmpada de leds, Bluetooth, volante multifuncional, maçanetas externas na cor da carroceria, moldura da grade inferior cromada, farol de neblina com acabamento cromado, CD Player com entrada auxiliar para MP3 Player/iPod, conector USB, quatro alto-falantes e rodas de liga leve aro 15.

Preço: R$ 40.990.





Fonte: UOL