Cinquenta bairros sofrem sem água em todas as regiões da capital

O acesso à água potável ainda é um grande problema

O acesso à água potável ainda é um grande problema para muitos teresinenses. Cerca de 50 bairros, de todas as regiões da capital, sofrem com a falta de água nas residências. O que tem levado a população a estocar água ou mesmo comprar para o consumo.

A situação na Rua Trindade Júnior, no Bairro Água Mineral, zona Norte, é alarmante. A falta de água ocorre diariamente, entre 15h às 16h e só retorna a meia-noite.

A moradora Maria José dos Santos diz que para não ficar sem água, todos os dias, enche uma manilha instalada no fundo de seu quintal, baldes e até garrafas pet.

“Nesse calor, ficar sem água é difícil. Aqui na rua temos que nos preparar mesmo ou então morremos de sede. Encho uma manilha, umas garrafas e baldes. Quando a água vem é aquele desespero para encher o máximo de vasilhas possíveis, até garrafa de refrigerante estou usando”, relata.

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A moradora revela ainda que no mês de julho os moradores passaram três dias seguidos sem água. “Todo dia falta água, mas uma hora vem. Pior foi no mês passado que ficamos três dias sem uma gota de água nas torneiras. Foi muito difícil. Mas as contas todos os meses vêm e temos que pagar. Senão cortam o pouco que nos dão”, desabafa.

Outra moradora que também sente as consequências da precariedade no fornecimento de água é Michele Rodrigues. “Eu moro aqui há 18 anos. Sempre teve esse problema.

Têm meses que é pior. O que devemos fazer é guardar água limpa, pelo menos para fazer a comida. Nesses dias é difícil até fazer nossa própria higiene”, ressalta.

Em nota, a assessoria da Agespisa informa que o abastecimento no Bairro Água Mineral, zona Norte, foi interrompido por causa de correções em vazamentos no sistema de abastecimento de água na Rua Primeiro de Maio, Bairro Aeroporto e pontua que o fornecimento será regularizado de maneira gradativa.

Já quanto a questão da falha no fornecimento de água da capital,Orlando Ayres, superintendente Metropolitano da Agespisa, afirma que são diversos os problemas enfrentados pelo órgão, são situações que vão desde a inadimplências, ao alto consumo e ligações irregulares.

“A Agespisa está produzindo água suficiente para abastecer toda Teresina sem faltar água. Nós produzimos 250 milhões de litros de água por dia. É suficiente. O problema é de distribuição, o alto consumo, inadimplências, as ocupações irregulares e vários outros motivos”, destaca.

Para problemas de falta de abastecimento ou correção de vazamentos, a Agespisa pede aos moradores que entrem em contato com a fornecedora, pelo número: 0800 086 8888. O serviço funciona 24 horas por dia, inclusive nos feriados.

Audiência pública discute medidas corretivas

Com intuito de discutir medidas de correção no fornecimento de água de aproximadamente 50 bairros da capital, que vereadores reuniram-se com representantes da Agespisa, na manhã dessa segunda-feira (31), na Câmara Municipal de Teresina.

A audiência pública foi um pedido da vereadora Teresinha Medeiros (PPS), com apoio da vereadora Teresa Britto (PV) e do vereador Antônio José Lira (DEM). Eles alegam que os problemas no fornecimento de água vêm na falha de logística utilizada na gestão da Agespisa.

"A população sofre e aclama com essa falta de água nos bairros de Teresina, que passam até 30 dias sem água. Não é um problema pontual é de toda a cidade.

Entendemos que o problema está na gestão e precisamos discutir. Não podemos aceitar que a nossa população passe por esse tamanho descaso", afirma a vereadora Teresinha Medeiros.

Para a vereadora Teresa Britto, o problema de abastecimento de água da Agespisa não será solucionado com a terceirização do órgão. "É inegável que houve avanços, mas ainda temos muitos problemas que precisam ser resolvidos.

A terceirização não é o caminho, pois só vai encarecer para o bolso da população. Até porque a água é uma concessão pública municipal, quem tem a estrutura técnica e estrutural é a Agespisa e que precisa se organizar para investir", pontua.

Foram discutidas medidas para fortalecer os serviços da Agespisa, dentre elas de realizar uma assembleia para instalação de uma CPI de investigação e exigir do Governo Estadual a modernização nos equipamentos operacionais de distribuição de água potável.

Além disso, trataram sobre a necessidade de criar uma comissão para acompanhar os problemas da Agespisa, de perto, e ainda sobre a possibilidade de haver um instituto privado de aposentadoria dos servidores do órgão.

Fonte: Virgínia Santos e Márcia Gabriele