Com que câmbio eu vou? Confira qual transmissão é ideal

Conheça vantagens e desvantagens de manual, automático, automatizado e CVT



O mercado automobilístico oferece quatro tipos de câmbio: manual, automático, automatizado e o CVT, transmissão continuamente variável. Qual deles é mais adequado ao seu bolso e estilo de vida? Demorar-se nesse questionamento vale a pena. Afinal, você e seu carro vão passar um bom tempo juntos (segundo previsões, a paixão costuma durar três anos). A escolha certa pode garantir mais conforto, economia e segurança ao dirigir.

Para Reinaldo Siffert, gerente de marketing e produto da Citroën do Brasil, a preferência dos brasileiros vem mudando.

- Há trinta anos, o câmbio manual era a principal opção no mercado. Os poucos automáticos, também chamados de hidramáticos, perdiam muito nas trocas de marcha. Eram considerados coisa de idoso ou de quem tinha alguma deficiência física. O ritmo de vida e a eletrônica embarcada, porém, estão mudando essa história.

Segundo Siffert, apesar do avanço tecnológico, os jovens de até 30 anos são os que menos preferem carros automáticos.

- Isso acontece provavelmente porque eles ainda não entenderam as vantagens desse tipo de câmbio.

Já entre homens e mulheres, de acordo com estudos da marca francesa, não há diferença.

- A quantidade que gosta e que não gosta é a mesma. O que muda mesmo é a idade.

Menos esforço

De acordo com Henrique Sampaio, gerente de marketing do produto da Volkswagen do Brasil, muitos motoristas no Brasil e na Europa ainda preferem a transmissão manual, uma vez que ela possibilita uma condução mais esportiva.

- Especialmente em regiões sem congestionamentos e, consequentemente, sem a necessidade de trocas constantes de marchas.

Para o consumidor que trafega durante muitas horas nos congestionamentos das cidades, entretanto, o troca-troca de marchas talvez não seja a melhor escolha, de acordo com Sampaio.

- A transmissão automática convencional evoluiu muito tecnicamente nos últimos anos, graças aos recursos eletrônicos, ao bloqueio do conversor de torque, à suavidade na troca de marchas e ao controle sequencial. É uma boa opção para quem busca conforto ao volante.

Nem sempre o problema está no preconceito contra o câmbio automático, mas no bolso do consumidor. Uma transmissão automática eleva, em média, o preço do carro em R$ 4.000. Essa é a diferença entre, por exemplo, um C3 manual e um automático. Um novo Jetta 2.0 ou um Golf 2.0 com câmbio automático Tiptronic custará R$ 4.235 a mais.

Uma opção no meio do caminho é a transmissão automatizada. Segundo Henrique Sampaio, esse conceito de transmissão foi desenvolvido para carros compactos e médios, pois não provoca perda de potência nem aumento de consumo, além de custar consideravelmente menos.

Para modelos Volkswagen, o motorista teria de desembolsar R$ 2.700 a mais por um Gol, Voyage, Fox, Polo, SpaceFox nas versões I-Motion. Segundo Sampaio, as principais vantagens dessa transmissão são o conforto similar ao das transmissões automáticas por um preço menor.

- O desempenho é o mesmo de uma transmissão manual convencional, o motorista tem autonomia total na escolha da marcha a ser utilizada, há a possibilidade de atuação em modo automático esportivo, visando maior agilidade e rapidez nas acelerações, além da durabilidade, plano de manutenção de componentes de desgaste e disponibilidade de peças similares aos de uma transmissão manual.

Sampaio explica que, entre os semiautomáticos, mas para o segmento de alto luxo, há ainda a opção de transmissão automatizada de dupla embreagem (o chamado câmbio DSG, na VW; S-Tronic, na Audi; e Power-Shift, na Ford/Volvo).

- Essa alternativa não apresenta desvantagens em termos de economia de combustível e desempenho do veículo, permitindo ainda números idênticos ou melhores nas acelerações e velocidade máxima. As trocas de marchas são suaves, oferecendo a vantagem adicional da utilização em modo manual por meio do sistema sequencial pela manopla de câmbio ou pelas borboletas no volante. Além disso, as trocas de marchas são mais rápidas e perfeitas, sem interrupção da potência de tração.

A última ? e menos comum ? opção é a transmissão continuamente variável (CVT). Usando polias em vez de engrenagens, esse tipo de câmbio não possui um número limitado de marchas, como explica o engenheiro Fernando Landulfo, professor de mecânica da escola Senai Vila Leopoldina (SP).

- Entre as vantagens do CVT estão maior aproveitamento do torque do motor e trocas de marchas imperceptíveis.

Adotam esse câmbio o Nissan Sentra, alguns modelos da Audi e da Mercedes-Benz, o Ford Fusion híbrido e a primeira geração do Honda Fit.

Câmbio, testando

A WebMotors convidou a secretária Antônia Zaninette para testar o Citroën C4 hatch com transmissão automática. Além do fato de nunca ter guiado um carro que não fosse manual, outro aspecto nos interessou nessa motorista: a teimosia.

- Nunca dirigi um carro automático, mas já aviso que não vou gostar.

Depois de receber as instruções de como usar o câmbio, Antônia começou seu teste pelo quarteirão. Nas primeiras voltas, a mão direita insistia em interferir na marcha, e o pé esquerdo, em transformar freio em embreagem.

- Acho que não vou me acostumar.

Passados cinco minutos, porém, a tensão no rosto foi desaparecendo.

- Tenho de dar o braço a torcer, nunca imaginei que fosse tão bom dirigir um carro automático. Além do conforto, sobra mais atenção para o trânsito.

Seguimos para as subidas. A tecnologia que impede o carro de voltar para trás enquanto o motorista troca o freio pelo acelerador conquistou de vez a motorista.

- É maravilhoso não ter de se preocupar se o carro vai descer, especialmente quando outros motoristas colam na traseira. Meu próximo carro vai ser um automático.

Essa, claro, é uma opinião muito pessoal. O ideal é você fazer sua própria avaliação. Para quem nunca dirigiu um carro automático, a dica é testá-lo com alguém que tenha experiência.

Fonte: R7, www.r7.com