Com seca recorde, coroas no rio Parnaíba estão maiores e causam prejuízos e riscos

Com seca recorde, coroas no rio Parnaíba estão maiores e causam prejuízos e riscos

Quem sobrevive do rio garante que há muito tempo não via o nível do rio tão baixo quanto em 2012.

Sem chuva há alguns meses, o nível das águas do rio Parnaíba tem diminuído substancialmente e evidenciado o surgimento das coroas de areia em grande parte da extensão do rio que passa por Teresina. Mesmo sendo um fato comum todos os anos, quem sobrevive do rio garante que há muito tempo não via o nível do rio tão baixo quanto este ano.

Sebastião trabalha como barqueiro no rio Parnaíba há 35 anos e garante que este ano o nível do rio está bastante baixo. Situação esta que tem demandado um tempo maior para a travessia de um lado a outro do rio. O percurso que antes levava cinco minutos para ser realizado, hoje não é feito em menos de sete minutos.

?É preciso percorrer 500 metros a mais para desviar da coroa. Isso leva um tempo maior no percurso. A gente precisa tomar cuidado porque o rio está bastante raso. Não tem mais aqueles cinco, seis metros de profundidade como antes?, alerta Sebastião.

Embora o transporte hi-droviário tenha sido mais eficiente quando não existiam as pontes que ligam Teresina a Timon, o ofício ainda é uma alternativa de renda para barqueiros como Sebastião, mas é um atividade para quem conhece bastante o rio. ?Por enquanto ainda está dando para sobreviver do rio, mas não se sabe até quando, se continuar do jeito que está?, completa Sebastião.

Já quem sobrevive da pesca garante que o rio não está para peixe. Alexsandra Morais, assim como seus pais e o marido, também viveram por muito tempo do ofício da pescaria, mas ela garante que já não dá mais para se manter apenas disso. Para conseguir uma renda maior no final do mês, ela diz trabalhar como manicure para reforçar a renda da família. ?Esse ano está ruim de peixe, porque não teve enchente. Sem peixe fica difícil a gente viver da pesca. Esse monte de mato nas coroas também não ajuda?, afirma.

Fonte: Virgínia Santos