Comandante nega despreparo de PM que matou lixeiro

Santos foi abordado na noite de quarta durante um patrulhamento da PM e, ao levantar os braços, teve sua bíblia confundida com uma arma.

O comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Benedito Roberto Meira, lamentou, nesta sexta-feira, a morte do coletor de lixo Antônio Marcos de Santos, 42 anos, morto com um tiro disparado por um policial que confundiu a bíblia que carregava com uma arma, em Avaré, no interior de São Paulo, na última quarta-feira. O coronel negou, entretanto, que o fato revele um "despreparo" do policial para exercer a função e disse que o cabo da PM foi detido e deverá responder por homicídio doloso (quando há intenção de matar).

"Ele está, obviamente, arrependido do que fez, do erro que cometeu. (...) Eu não considero despreparo. Eu considero que aquilo foi uma atitude precipitada da parte dele, em que ele teve que usar arma de fogo num momento de tensão. (...) E você tem que levar em consideração que o local em si é um local ermo, escuro, a pessoa estava transitando em um local com atitude suspeita, daí a razão da abordagem. (...) Mas foi um desastre, uma fatalidade. É uma pena e nós temos mais um policial militar preso no presídio militar Romão Gomes", disse o comandante geral, após participar de um evento na capital paulista ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

Santos foi abordado na noite de quarta durante um patrulhamento da PM e, ao levantar os braços, teve sua bíblia confundida com uma arma. O policial (que não teve seu nome divulgado) disparou contra o funcionário público, que foi atingido no pescoço, chegou a ser socorrido e levado pelos policiais a um pronto-socorro, mas não resistiu ao ferimento e morreu. O cabo da PM foi preso e, de acordo com o coronel Meira, pode ser expulso da corporação ao fim do processo administrativo instaurado para investigar o caso.

Descontrole

O secretário de Segurança Pública também atribuiu a tragédia a um eventual despreparo do cabo da PM, mas disse que o caso "revela um descontrole". "O comando da Polícia Militar está tratando desses casos, inclusive com uma preocupação de reciclar (os policiais militares), de acompanhar e de tratar essas situações. Esses casos todos estão merecendo uma resposta imediata. Em Avaré, (o policial) foi alvo de prisão em flagrante por homicídio doloso (com intenção). (O caso) Revela um descontrole e, sem dúvida, há uma preocupação. (...) Nós não toleramos esse tipo de coisas", disse Grella.

O secretário, que assumiu a pasta em novembro, após um aumento significativo do número de mortes no Estado, disse ainda que o Estado tem investido em processos de ?reciclagem?, e que espera haver uma "sensível diminuição" dos números de mortes cometidas por policiais militares.

Esse não é o primeiro caso em que um policial mata uma pessoa por engano. Em julho deste ano, o publicitário Ricardo Prudente de Aquino, 39 anos, foi morto a tiros dentro do carro que dirigia, em São Paulo, durante uma perseguição policial. Na época, os policiais militares envolvidos no caso afirmaram terem confundido o aparelho celular com uma arma.



Fonte: Terra