PI:1.300 alunos são pesquisadores de iniciação científica em universidades

O número é uma referência aos estudantes das Universidades Estadual e Federal do Piauí, que realizam pesquisa de inciação científica

Quase 1.300 alunos nas Universidades Estadual e Federal do Piauí são pesquisadores de programas de iniciação científica, como bolsistas ou voluntários. Na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), um novo edital prevê a seleção de mais 185 para o primeiro semestre de 2014. A grande quantidade de oportunidades e a boa adesão ao Pibic ? Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica ? é a busca por maturidade acadêmica e formação que coloca o estudante em situação favorável nas seleções dos programas de pós-graduação, de acordo com o pró-reitor de Pesquisa da UFPI, professor Pedro Vilarinho.

?A Iniciação científica é também muito importante para a instituição por envolver professores e alunos, sendo que estes têm a oportunidade de aprender a fazer ciência, além de obter melhor qualificação para o mercado de trabalho. Em geral, os alunos que realizam uma iniciação científica bem-feita não possuem problemas com questões metodológicas e outras dificuldades no decorrer da graduação?, explicou o pró-reitor.

Já o professor Diógenes Buenos Aires, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Uespi entende que os programas de iniciação científica são extremamente importantes no fortalecimento dos pilares da universidade. ?Para a Universidade é bom ter o maior número de pesquisadores capacitados e habilitados para a produção de conhecimento, que é o caso de quem ingressa em um Pibic?.

Orlando Berti, professor e pesquisador do curso de Comunicação Social da Uespi, é um dos grandes incentivadores da pesquisa na instituição e inscreveu dois projetos com a parceria de quatro alunos. Os projetos tratam da Comunicação Comunitária e Fotojornalismo, as duas áreas em que atua Berti. Para ele, o aluno que se prontifica a aprender como pesquisar só tem a ganhar, ainda que não queira seguir uma carreira acadêmica.

?O mercado também é permeado de pesquisas, necessita ser conhecido, estudado. Por isso, quem pesquisa só tem a entender o mercado, o que está por trás dele e suas interfaces. Todos, repito, todos, os nossos ex-orientandos de PIBIC em Comunicação na UESPI estão fazendo mestrado, ganharam prêmios ou estão muito bem empregados?, frisa Orlando Berti.

Ainda com tantas vantagens listadas, Berti reconhece que existe dificuldade para encontrar alunos interessados e compromissados. ?Alunos que se interessam pela pesquisa, que já participam dos nossos grupos de pesquisa e que têm interesse de fazer acontecer são preferíveis. Mas, paradoxalmente, está complicado encontrar na área de Comunicação alunos que queiram pesquisar. Já fiz campanhas no Facebook, em cartazes, com os colegas professores, nas salas de aula, mas aparecem poucos. O bom é que esses poucos são muito dedicados. Suspeito que haja uma pouca cultura na pesquisa em Comunicação?.

Conhecimento e apoio financeiro são bem-vindos

Nina Leal, 20 anos, faz Licenciatura em Filosofia na Ufpi. Pesquisadora há seis meses através do Pibic, desenvolve o plano de trabalho ?Nietzsche e os mecanismos de controle social: a linguagem como interiorização de valores culturais?, vinculado à linha de ética. O projeto está ligado também à uma pesquisa mais ampla do orientador Luizir de Oliveira, do departamento de Filosofia da instituição.

Para ela, o programa de iniciação científica abriu muitas oportunidades e acrescentou muito valor à sua graduação.

?Para mim, é a melhor oportunidade que a universidade me oferece de pesquisar um tema de forma bastante aprofundada, sob orientação de um professor experiente, competente e disposto a auxiliar. Além disso, é uma forma de melhor preparar o aluno para os cursos de pós-graduação, pois o Pibic proporciona uma pesquisa rigorosa, enquadrada em regras, com um plano de pesquisa e com passos a serem seguidos pelo aluno e pelo orientador?.

Mas além dos benefícios ligados diretamente à pesquisa, o programa trouxe vantagens para a vida cotidiana, como melhor qualidade de leitura e escrita. ?O Pibic é uma boa forma de saber se ?me agrada? fazer uma pós-graduação.

Além disso, tenho a vantagem de ser bolsista, o que me auxilia na compra dos livros, que não são poucos, e nas participações de congressos e seminários da minha área. E, às vezes, ainda sobra um pouco pra ajudar em obrigações da graduação?.

Já para Marisa Oliveira, 21 anos, orientanda do professor de Comunicação Social da Ufpi, Gustavo Said, a adesão à iniciação científica não está diretamente associada à vontade de ser aceita imediatamente na pós-graduação, mas a pensar criticamente a sociedade e o mercado de trabalho.

?Você aprende como pesquisar e qual a importância disso na sociedade. Eu pretendo fazer mestrado, mas não agora, quero entrar primeiro no mercado de trabalho. Para minha profissão também ajuda a pensar o mundo de uma maneira diferente. Por exemplo, eu que pesquiso subjetividade, quando estava estagiando, toda vez que ia escrever um texto começava a me perguntar de que forma aquele texto poderia contribuir positiva ou negativamente na subjetividade de quem lê?, contextualizou Marisa.

Existem normas para o ingresso ao Pibic

O primeiro passo para ingresso no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), financiado diretamente pela instituição ou pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ), é o contato com o professor pesquisador. O professor, ao selecionar os alunos mais interessados e aptos ao trabalho, inscreve o projeto junto com os planos de ações e o nome de seus alunos (em geral dois) para o processo de seleção.

Apenas um aluno poderá receber bolsa de incentivo, no valor de R$ 400, e outro deve ser apenas voluntário, situação que será definida previamente junto ao orientador. Cada um deverá trabalhar de forma colaborativa e seguir os passos definidos pelo professor (orientador). A ideia é fortalecer o projeto e dividir tarefas. O professor não recebe bolsa de incentivo.

O período de adesão ao programa pode durar em média três anos, tendo em vista que é permitida a participação a partir do terceiro período. Os estudantes que recebem bolsa de incentivo podem solicitar renovação anual em período determinado pela instituição. É obrigação de todos os pesquisadores vinculados apresentarem relatórios do trabalho e resultados em eventos científicos.

Na Universidade Federal do Piauí, 400 alunos são bolsistas do Pibic, sendo metade das bolsas financiadas pelo CNPq e 380 alunos pesquisam de maneira voluntária. O Pibiti (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Tecnológica) reúne cerca de 70 pesquisadores, que desenvolvem produtos e tecnologias. Na Uespi, são 385 pesquisadores vinculados ao Pibic/Uespi ou Pibic/CNPq.

Fonte: Samira Ramalho