Falta de plano de carreira é queixa de quem quer trocar de empresa no país

Pesquisa com 337 profissionais diz que 73% buscam novo posto neste ano

Pesquisa sobre o mercado de trabalho da consultoria Boucinhas apontou que 80% dos entrevistados planejaram mudar de empresa neste ano e 73% dos profissionais já começaram a busca pelo novo emprego. A falta de um plano de carreira na empresa atual motiva a troca para 48% dos participantes. Outros 36,6% dizem que a razão é a busca por salários melhores.

A pesquisa teve 337 participantes, sendo 85% na faixa etária de 16 a 40 anos. Do total, 22,55% são auxiliares (operacionais), 14,84% são assistentes, 13,35% têm função de supervisão/coordenação, 9,79% fazem estágio, 8.9% são plenos e 7,72% tem cargo júnior ou de trainee. Outros 6,82% são profissionais que atualmente possuem cargos de gerência e 2,37% são diretores.

O estudo sobre o mercado de trabalho é realizado anualmente, com o objetivo de identificar dados e informações relevantes sobre o mercado de trabalho brasileiro. "A expansão do mercado nos últimos anos gerou também a intensificação da rotatividade de empregos", afirma Celeste Boucinhas, diretora da consultoria.

"Os dados apontam para uma mudança de mentalidade sobre o posicionamento dos talentos nesse mercado, uma vez que a possibilidade de crescimento tornou-se prioridade frente aos tradicionais planos de carreira que, por serem pouco flexíveis, inviabilizam o anseio de mudança", complementa a executiva.

Qualificação

A qualificação profissional foi considerada item importante para se alcançar a posição desejada. Dos profissionais participantes da pesquisa, 74% investiram em cursos complementares nos últimos dois anos, sendo que apenas 43% investiram em cursos de idioma para o mesmo período.

"Investimentos em cursos de qualificação e especialização se apresentam como uma alternativa à alta competitividade apresentada pelo mercado brasileiro nos últimos cinco anos", comenta Tiago Vianna Martins, diretor de operações da Boucinhas.

Martins afirma ainda que, uma vez que existe um número maior de candidatos interessados em novas posições nesse mercado, a especialização surge como uma solução pontual importante que, muitas vezes, serve como critério de diferenciação para a seleção.

Quanto à intenção de investir em qualificação nos próximos anos, 80% indicaram que pretendem fazê-lo, com certeza; outros 19% pretendem, porém não têm certeza.

Quando questionados sobre a importância do domínio de outro idioma para seu crescimento profissional, cerca de 80% indicaram que esse domínio influencia muito em seu desenvolvimento e 16% apontaram que essa influência não é significativa, impactando pouco em sua carreira.

Falta de experiência é barreira

A principal dificuldade na hora de conquistar uma nova posição é a experiência, apontada por cerca de 29% dos participantes. No entanto, esse percentual é significativamente menor em relação à pesquisa anterior, apresentando um índice 19,62% inferior.

A formação acadêmica aparece como a segunda principal dificuldade (18,10%), seguida por domínio de outro idioma (17,51%).

Já sobre o planejamento de carreira, 56% dos profissionais apontaram que possuem planejamento claro. Outros 38% disseram que possuem algum planejamento, porém, pouco claro.

Mais da metade (55%) possui conhecimento sobre os serviços de coaching (empresas e profissionais qualificados para preparar as pessoas para o mercado de trabalho), sendo que 32% gostariam de contratar um profissional para ajudá-los a se desenvolver profissionalmente. Outra parte gostaria de contratar esse serviço, porém não tem certeza em relação a essa vontade. Cerca de 30% disseram não ter interesse nesse tipo de serviço.

Fonte: G1