Quem já é servidor público deve fazer novo concurso? Veja dicas

Quem já é servidor público deve fazer novo concurso? Veja dicas

Lia Salgado fala sobre os prós e contras de prestar um novo concurso

Quando falamos em candidatos a concurso público, em geral, pensamos em pessoas que estão desempregadas ou trabalhando na iniciativa privada. Mas, assim como no mercado privado, também na administração pública há quem deseje algo mais para a carreira, sem abrir mão das vantagens de um cargo público.

O curioso é que essas pessoas são criticadas quando estudam para um novo concurso, como se fossem descomprometidas com o trabalho ou estivessem obrigadas a permanecer para sempre no mesmo lugar.

Entretanto, no mercado privado é sabido que atualmente jovens ficam no mesmo emprego em média por dois anos, a menos que estejam extremamente satisfeitos e motivados. Por que o mesmo não pode se dar com servidores? Afinal, quem foi aprovado uma vez conhece as regras do jogo e já mostrou que tem capacidade para vencer.

Bons motivos

Em alguns casos, o servidor descobre apenas depois de assumir que não tem real aptidão para o cargo escolhido e que não vai se adaptar ao tipo de atividade. É mais produtivo buscar uma área mais adequada ao seu perfil. Para isso, deverá pesquisar outras oportunidades e iniciar a preparação.

Outra situação é quando a pessoa opta por determinado concurso para resolver uma situação emergencial. Na verdade, precisa obter o aporte financeiro necessário para seguir estudando para concursos mais complexos, porque almeja conquistar um cargo melhor, com remuneração mais alta. Dependendo da situação específica de vida de cada um, pode ser vantajoso buscar um concurso intermediário. Nesse caso, só é preciso ter cuidado para não se deixar acomodar com a situação e ficar num patamar aquém do que seria possível ou desejável.

Ser aprovado em um concurso não necessariamente significa que você atingiu o objetivo final. Assim como na iniciativa privada, é perfeitamente possível buscar uma ?promoção?. Com a vantagem de que isso não vai depender da boa vontade do patrão, mas dos seus próprios esforços, com um novo concurso.

Há, ainda, a progressão natural: quando o servidor faz concurso para cargo de determinado nível de escolaridade e depois conclui escolaridade mais elevada. Ele pode prestar novos concursos e, em alguns casos, até para atuar na administração pública dentro da nova formação.

Nem sempre vale a pena

Importante lembrar que o cargo público, assim como qualquer outro trabalho, tem aspectos positivos e negativos. Em alguns momentos, pode ser necessário conviver com situações desagradáveis, que vão desde atividades temporárias que você não goste de executar até chefia ou colegas com os quais você não tenha bom relacionamento.

Tais situações nem sempre são motivo suficiente para buscar outro concurso. Afinal, o cargo é para sempre e o problema pode ser passageiro. Além disso, na administração pública muitas vezes é possível pedir remoção para outro setor ou até para outra cidade, no caso de concursos estaduais, e outro estado, no caso dos federais. Isso pode ser uma forma de buscar nova motivação no trabalho ou de evitar alguma situação desgastante que não pareça ter solução a médio prazo, sem ter de cair novamente na estrada dos concursos públicos.

Como fazer

Pesados os prós e contras, se o funcionário se decidir mesmo por um novo concurso, será necessário conciliar trabalho e estudo, da mesma forma que qualquer outro candidato empregado. Isso requer criatividade, determinação e comprometimento.

Para quem trabalha, o tempo é mais escasso, o que exige certo malabarismo para administrar o dia a dia e incluir aulas e estudo. Nada melhor para isso do que preparar um quadro de horários e matérias. É preciso também muito cuidado para não se desinteressar pelo trabalho atual ? afinal, o salário está sendo pago e espera-se que o serviço seja prestado com qualidade. Os projetos futuros não devem comprometer o cargo presente.

Outro aspecto a ser considerado é que o fato de estar trabalhando tem a vantagem de reduzir a pressão por uma aprovação rápida. Por outro lado, não haver a necessidade absoluta de aprovação pode fazer com que o candidato tenha mais dificuldade para enfrentar os desafios sem esmorecer e abandonar o projeto. É preciso estar atento.

Fonte: G1