Mulher de Cachoeira diz que confia em Deus após sua internação

Mulher de Cachoeira diz que confia em Deus após sua internação

Andressa disse que acompanhou o companheiro a noite toda e só o deixou nesta manhã, quando foi em casa para pegar algumas roupas para ele

Dizendo que o companheiro está "muito debilitado" e "triste", Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, disse que ele passou mal logo após visitar o túmulo da mãe, em um cemitério de Anápolis, na última sexta-feira. Cachoeira foi internado no Hospital Neurológico de Goiânia, com um quadro agudo de diarreia e náuseas, na noite de domingo. "É muita coisa, não é? Mas confio muito em Deus. Nós confiamos muito na justiça divina", disse ela, se referindo sobre o futuro do contraventor e dela mesma, que recentemente foi indiciada pela Polícia Federal.

Andressa disse que acompanhou o companheiro a noite toda e só o deixou nesta manhã, quando foi em casa para pegar algumas roupas para ele. "Ele está muito debilitado, triste. Tem tido dificuldade de se recuperar de tudo o que tem acontecido", disse Andressa, emocionada.

A companheira de Cachoeira admitiu que o recente novo pedido de prisão provisória do bicheiro feito pelo Ministério Público Federal em Goiás e o indiciamento dela por corrupção ativa pioraram as coisas e abalaram os ânimos de todos.

Andressa foi indiciada por causa da denúncia feita pelo juiz Alderico Rocha dos Santos - responsável pela ação penal da Operação Monte Carlo, que culminou na prisão do bicheiro - que relatou ter sido constrangido por ela, no dia 26 de julho, na tentativa de conseguir a revogação da prisão preventiva do companheiro. A namorada do contraventor teria anotado em um pedaço de papel o nome de pessoas que estariam com um suposto dossiê montado por Cachoeira com informações contra o juiz.

Assinado pelos médicos Cesar Leite (hematologista), Alberto Las Casas (cardiologista) e Salomão Rodrigues (psiquiatra), o boletim diz ainda que Cachoeira apresenta uma reação de estresse agudo, transtorno de conduta e reação mista depressiva. Não há previsão de alta.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Fonte: Terra