Cresce número de adolescentes grávidas em THE

Cresce número de adolescentes grávidas em THE

Cada vez mais meninas com menos idade estão engravidando. Algumas delas mal deixaram de brincar com bonecas e passam a cuidar de filhos.

A gravidez na adolescência é um dos problemas enfrentados por famílias de todas as classes sociais. E cada vez mais meninas com menos idade estão engravidando. Algumas delas mal deixaram de brincar com bonecas e passam a cuidar de filhos, como se fossem ?brinquedinhos vivos?.

Na Vila Costa Rica, na zona Sul de Teresina, é cada vez maior o número de adolescentes grávidas, mesmo com todos os serviços sociais e de saúde voltados para a orientação das garotas em fase de início, ou não, de atividades sexuais. Um desses exemplos é o da adolescente M.R.S.S., de 12 anos, que está grávida pela segunda vez. Assim que fez 12 anos ela descobriu que estava grávida pela primeira vez, e aos sete meses teve um aborto espontâneo, provocado por uma raiva que ela sentiu e que não quis comentar sobre o fato.

A menor conta que com um pouco mais de um mês, já estava grávida novamente. No próximo mês, ela faz 13 anos.

O fato é que a adolescente, que até bem pouco tempo, até os nove anos de idade, brincava com bonecas, depois do parto irá conviver de fato com um bebê de verdade. ?Eu sei cuidar de bebê, porque já cuidei de bebês de primas minhas. Sei trocar fraldas e dá mamadeira, mas acho que não tenho paciência caso ele chore muito. Entrego para minha mãe cuidar?, diz a menor, esboçando ingenuidade.

A mãe a que ela se refere é na verdade sua sogra, mãe do pai da criança, um rapaz de 19 anos e que está desempregado e sobrevivendo de pequenos serviços. M.R.S.S. lembra que o bebê abortado era do sexo masculino, mas ainda não sabe o sexo do bebê que está esperando, apesar de já ter realizado o exame de ultrassom. A garota está convivendo maritalmente com o pai da criança e na casa da sogra, mas não pensa em casar. ?Não quero casar.

Assim está bom demais. Qualquer coisa que acontecer, cada um vai para seu canto?, diz.

A menina conta que estudava, antes de engravidar, mas que deixou de frequentar a escola devido ao mal-estar que sente vez por outra e ao pré-natal e as visitas ao posto de saúde local, para consultas e orientações sobre a gestação, afirmando que com o bebê está tudo bem. ?Quando eu tiver o bebê vou voltar a estudar, vou cursar a sexta série?, diz. M.R.S.S tem uma vida familiar muito conturbada. Ela conta que tem três irmãos que moram com sua avó paterna, seu pai está preso, acusado de tráfico de drogas, e não sabe o paradeiro de sua mãe biológica.

Com cinco meses de grávida, a menor ainda não tem nada para o enxoval da criança, apenas dois pares de sapatos e uma caixa de fraldas. Sua atual família vive em uma casa simples, de tijolos e de chão batido, na Vila Costa Rica, na zona sul de Teresina. Quem quiser fazer algum tipo de doação para o filho de M.R.S S, o telefone para contato é o da Rede Meio Norte: 2107-3000.

Posto de saúde faz trabalho de prevenção com jovens

Mesmo com todo o trabalho de prevenção realizado pela equipe do Posto de Saúde Nossa Senhora da Paz, localizado na Vila Costa Rica, na zona Sul de Teresina, o número de adolescentes grávidas aumentou, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo informações da diretora do posto de saúde, Beth Guerra. As duas vilas possuem um total de mil e quarenta e três mulheres em idade fértil, de 10 a 49 anos.

No ano passado a equipe de profissionais do posto de saúde constatou através de estatística realizada mensalmente que das 202 mulheres grávidas, um total de 28 delas eram adolescentes. E este ano, até o mês de setembro, ficaram grávidas um total de 174 mulheres, sendo 32 delas menores de vinte anos. Sendo que todas as menores grávidas residem com os pais.

?Tivemos uma certa dificuldade, porque sensibilizar o adolescente e contar com o apoio da família que não vê nessa situação, um aspecto importante é a precocidade em relação ao início da atividade sexual dessas adolescentes, pela falta de orientação sexual e de estrutura da família, aliada ao consumo de drogas e, principalmente, ao consumo de álcool?, diz Beth Guerra, acrescentando que a família, em relação a orientações recebidas no posto de saúde, através de palestras, por exemplo, não está conseguindo repassar as orientações na educação das filhas.

Atividades atendem comunidade de vários bairros na região

O posto de Saúde Nossa Senhora da Paz responde pelos serviços oferecidos à Vila Costa Rica e parte da Vila da Paz, sendo que uma equipe de profissionais do bairro Três Andares realiza o trabalho da outra parte da Vila da Paz.

De acordo com a diretora do posto de saúde, Beth Guerra, a equipe de profissionais do local é responsável pelo controle do planejamento familiar, onde são oferecidos preservativos, palestras e anticoncepcionais, estes, mediante a avaliação médica.

?A Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER) dispõe de serviços para a colocação de DIU, para aquelas mulheres que o desejam. Se a mulher, depois de tomar conhecimento do uso do DIU, preferir, ela é encaminhada para a Maternidade, para receber o DIU.

Parceiros negam usar preservativos

A maioria das mulheres, e entre elas as menores de idade, revelam que seus parceiros se negam a usar preservativos e elas não gostam de usar anticoncepcionais. Beth Guerra conta que a alegação das mulheres é a de que ?esquecem? de ingerir os comprimidos.

Ela diz ainda que com a precocidade no início das relações sexuais e sem o uso de preservativos, as mulheres são as que mais sofrem as consequências, adquirindo as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). E outro agravante, de acordo com Beth Guerra, é que em menos de dois anos, após o primeiro parto, as mulheres das referidas vilas engravidam novamente.

?Temos palestras mensalmente sobre todos os problemas e as possíveis soluções para evitar a gravidez precoce e ou em mulheres com muitos filhos, distribuição de preservativos e de anticoncepcionais, gratuitamente, na recepção do nosso posto de saúde, consultas médicas, onde a população pode também tirar suas dúvidas, mas ainda assim encontramos resistência, por parte de muitas mulheres, em tomar as devidas precauções, para uma gravidez indesejada?, finaliza.

Fonte: Lindalva Miranda, Jornal Meio Norte