Destino de muitos piauienses, São Luís  tem todas as suas praias impróprias para banho

Destino de muitos piauienses, São Luís tem todas as suas praias impróprias para banho

As praias sujas fazem turismo despencar em São Luís do Maranhão.

A ocupação dos hotéis na alta temporada em São Luís (MA) --marcada pelos festejos juninos, pelo bumba meu boi e pelas férias-- despencou neste ano. A culpa, diz o setor, é das praias sujas.

Por ordem da Justiça Federal, o Estado teve de divulgar um relatório sobre a situação das praias e instalar, em abril, placas alertando sobre a poluição. Todas as praias da cidade estão impróprias para banho devido ao esgoto, segundo monitoramento do governo.

Praias como a do Calhau, considerada uma das mais bonitas da cidade, e a da Ponta d"Areia, a mais movimentada, onde ficam os clubes de reggae, estão com o nível de coliformes fecais na água acima do considerado tolerável.

Segundo a Promotoria do Meio Ambiente, a situação é conhecida pelo menos desde 1997, quando foram feitos estudos sobre a falta de tratamento de esgoto na ilha.

"A população não percebia a realidade porque não havia transparência", explica o promotor Fernando Barreto.

A cidade sentiu os reflexos. "O turismo e a rede hoteleira estão ameaçados. Estamos tendo que fazer cálculos mirabolantes para não demitir", diz o presidente da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) em São Luís, João Antônio Barros Filho.

A taxa de lotação de hotéis e pousadas na cidade em junho e julho de 2011 foi de 75%. Neste ano, caiu para 53%. "É culpa das praias." As empresas associadas à ABIH têm 5.800 leitos, diz Barros Filho.

"No caminho do aeroporto para o hotel, o taxista me avisou de que nenhuma praia estava própria para banho", disse o turista mineiro Thiago Bernardo Pinto, 32, que visitou São Luís em junho. "Foi a primeira má impressão."

Em frente à pousada de Barros Filho, um cano despeja esgoto na praia há quatro anos. O cheiro incomoda os hóspedes, que só usam a piscina. Ele diz que alertou a Caema (companhia ambiental do Estado), sem sucesso.

A Caema, sociedade de economia mista gerida pelo Estado, explora os serviços de abastecimento e coleta e tratamento de esgoto na cidade. Segundo o site do órgão, apenas 38,6% dos moradores têm acesso à rede de coleta.

A cidade tem pouco mais de 1 milhão de habitantes.

De 1994 para cá, a Promotoria ajuizou oito ações contra o Estado e a Caema, cobrando o tratamento do esgoto.

Uma delas transitou em julgado em 2005. A Justiça ordenou que o governo parasse de lançar esgoto in natura nas bacias dos três maiores rios. Segundo a Promotoria, a prefeitura é ré em parte das ações, por fazer a concessão do esgoto à Caema sem cobrar bons resultados.

O governo do Maranhão informou, por meio de nota, que a cobertura do tratamento de esgoto na capital São Luís vai chegar a 90% em cinco anos.

"Atualmente, é de 10%, estando acima da média do Nordeste, que é de 7%", afira a nota.

De acordo com o governo estadual, a primeira etapa do programa de melhorias já teve início e deve ser concluída em 18 meses.

"Os recursos para a primeira etapa, de R$ 124 milhões, são oriundos do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] 1, com contrapartida de 20% do governo do Estado."

Já a Prefeitura de São Luís, questionada a respeito da concessão do esgoto à companhia ambiental do Estado, afirmou que criou, no ano passado, uma comissão para identificar falhas e adotar punições previstas no contrato de concessão, que poderá ser revisto.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br