Doadora de leite materno muda de cidades após ser "motivo de chacota" em PE

Pernambucana já doou 417 litros para maternidades do Estado.

A mulher que afirma ter batido o recorde mundial de doação de leite materno, com 417 litros em 11 meses, Michele Rafael Maximino, 31 anos, deixou Quipapá, na Zona da Mata de Pernambuco, e se mudou para o Recife após ser "motivo de chacota" na cidade onde estava morando.

"Recebi o apoio de muitas entidades, gente nos Estados Unidos mandando mensagem de incentivo, para que eu continuasse doando, mas mesmo assim não podia sair na rua sem escutar risinhos. Estava difícil viver lá, então vim para o Recife, onde tenho a minha família por perto e acho que tudo vai ser melhor", disse Michele, que está atualmente morando na casa de sua mãe, na Várzea.

De acordo com o marido de Michele, o professor Ederval Trajano, "as chacotas começaram quando Danilo Gentilli fez uma piada em rede nacional, em outubro do ano passado. Isso tirou nosso sossego". Em 3 de outubro de 2013, o humorista Danilo Gentili fez uma piada sobre a pernambucana durante o programa "Agora É Tarde", da Rede Bandeirantes. No dia 30 do mesmo mês, a 2ª Vara Cível de Olinda determinou que a emissora retirasse da internet o trecho do programa no qual o comentário é feito, sob pena de pagar R$ 5 mil por cada dia que o vídeo fique no ar. Até o momento, a emissora e o humorista recorreram duas vezes, mas o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) manteve a punição inicial. O processo ainda não foi encerrado.

Michele afirmou que passou dias sem conseguir dormir por conta da piada e pela maneira que estava sendo tratada na rua, o que prejudicou a sua saúde e o volume das doações de leite. "Mas agora estou feliz, tenho certeza que as pessoas aqui entenderão e não vão ficar apontando e coisas do tipo. Além disso, fica mais fácil para fazer doações", disse Michele.

Nesta segunda-feira (3), ela fez uma doação de 4,1 litros ao banco de leite da Maternidade Bandeira Filho, em Afogados, Zona Oeste da cidade. Michele afirma que irá doar até que sua filha, que está com um ano e seis meses, pare de amamentar. Um dos seios já secou, mas o outro continua produzindo leite.

O casal ainda não começou a procurar por uma casa na cidade, mas afirma que a família deve continuar na Várzea, pois Ederval, que era professor concursado em Quipapá, deve conseguir, em breve, a transferência para uma escola do bairro.


Doadora de leite materno muda de cidades após ser

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Fonte: G1