A mais de um mês para o Natal, produção de panetones aquece o mercado

Os fabricantes já começaram a abastecer as prateleiras de lojas, padarias e supermercados

Coloridos, apetitosos e um tanto calóricos. Os panetones lembram o Natal e é por isso que os fabricantes, de olho nos fãs do doce, já começaram a abastecer as prateleiras de lojas, padarias e supermercados. Uma das fornadas teve início em setembro, quando muita gente nem bem estava pensando nas festas de fim de ano. Uma pesquisa da Nielsen mostra que os paulistas são os maiores consumidores de panetone do país.

?As pessoas olham e dizem: ?Nossa, já tem panetone??. E quem gosta sempre acaba levando um?, conta Nubia Santos de Freitas, gerente da padaria Dona Deôla, na Lapa, Zona Oeste da capital. A loja tem produção própria e faz, duas vezes por semanas, cerca de 120 panetones. ?No fim de novembro, começam as encomendas das empresas e aumentamos para 500 unidades por semana.?

O ?culpado? pelas delícias nas prateleiras é o confeiteiro Jorge Ferreira de Souza, no ramo há dez anos. ?Rapaz, não sou muito chegado não?, diz ele, ao ser questionado se gosta de panetone. Na Dona Deôla, existem seis variações do pão. As quatro lojas em São Paulo chegam a tirar do forno 3 mil pães de Natal só em novembro.

Núbia diz que os que mais saem são os tradicionais, com frutas secas e chocolate, mas há a opção do de amêndoas com leite condensado e do bem-casado, que leva doce de leite. Só uma fatia de 100g deste último tem 328 kcal. "O pessoal diz que é uma tentação, sentem o cheiro do panetone quentinho na loja", brinca Marcos Aurélio Dudena, também gerente da Dona Deôla.

Pesquisa

A empresa de consultoria Nielsen fez uma pesquisa mostrando que o estado de São Paulo concentra 60% das vendas em volume de panetone no Brasil. O famoso pão doce de Natal está presente nos lares de todas as classes sociais. De acordo com o levantamento, feito em outubro deste ano, em 2008, o panetone foi consumido em 17 milhões de residências do Brasil - 500 mil a mais do que no ano anterior.

Nas classes A e B, o índice de consumo chega a 59,5%; na C, é de 49%; e nas classes D e E, o panetone foi consumido por 32,6% das pessoas. Pensando nos fãs da iguaria, a Pandurata Alimentos, dona da marca Bauducco, planeja sua produção com muita antecedência.

?Já estamos pensando no Natal do ano que vem?, revela Rodrigo Mainieri, gerente de produtos sazonais da empresa, que já colocou nas prateleiras dos supermercados os famosos panetones e chocotones. Este último celebra 30 anos em 2009. ?A gente começa a vender panetone no fim do mês de setembro. É um produto que tem um valor emocional ligado ao fim do ano?, explica.

Em 15 de setembro, a empresa faz a publicidade da primeira fornada. ?Aí o consumidor é impactado pela propaganda.? Pelos cálculos de Mainieri, nesse mês foram feitos 42 milhões panetones Bauducco no Brasil. Até 15 de dezembro, quando ainda nem é Natal, a produção é encerrada.

E é justamente nesta época que Marinalva Maximiano da Silva, de 35 anos, se vê coberta de trabalho. Ela comanda a produção dos panetones na fábrica da Ariane, loja de chocolates na Zona Sul de São Paulo. "A fabricação é mais artesanal, mas não menos trabalhosa. Temos com vários recheios?, diz, com orgulho.

Com habilidade, ela vai recheando os panetones, que ganham cores. A engenheira de alimentos Renata Tokunaga é quem supervisona o trabalho na pequena fábrica, instalada nos fundos da loja do Morumbi.

?A novidade este ano é o panetone com cobertura de limão?, afirma ela, ressaltando que, ao todo, são oito sabores. Entre eles, há o de prestígio, que leva coco, o de morango e o de nozes. E tem panetone para três tipos de gula: pequeno, médio e grande. Difícil é resistir.

Fonte: g1, www.g1.com.br