Após comprar marca paulista, Bombril entra no setor cosmético

O grupo anunciou ontem a compra, por R$ 15 milhões, de 75% da Ecologie Cosméticos, empresa de São Caetano (SP).

A Bombril, empresa famosa pela esponja de aço, deu ontem (09) seu primeiro passo num mercado que movimenta cerca de R$ 26 bilhões por ano, quase o dobro do de higiene e limpeza (em que a Bombril tem market share de quase 10%).

O grupo anunciou ontem a compra, por R$ 15 milhões, de 75% da Ecologie Cosméticos, empresa de São Caetano (SP) que detém mais de 120 produtos para cuidados dos cabelos, do corpo e do rosto. "Esse mercado vem com crescimento grande, do qual a Bombril quer participar. Até para chegar mais próximo à mulher de maneira diferente, para ela ter uma percepção da empresa de uma maneira mais ampla", afirma Marcos Scaldelai, diretor de marketing da companhia.

Mas nada de xampu Bombril; a marca Ecologie continuará independente, sem nenhuma menção ao logo da controladora. "O consumidor mais jovem associa a empresa ao seu principal produto, então [pensa]: "Pô, com um xampu com a marca Bombril meu cabelo vai enrolar", diz o executivo.

A Ecologie é uma linha AB, com tíquete médio de cerca de R$ 14 --valor mais próximo dos produtos do Boticário do que dos da Natura. "O que a Natura é para o porta em porta, e O Boticário é para a franquia, a Ecologie quer ser no varejo", diz Neusa Armstrong, dona dos 25% restantes da Ecologie, criada em 1986 e adquirida por ela e o marido em 2002.

Hoje, as vendas da marca são concentradas em perfumarias e farmácias. Mas é no supermercado onde ocorrem 60% das vendas de produtos para cabelo, segundo ela. "A ideia é reorganizar o segmento e fazer um processo de alavancagem com nossa linha de distribuidores no varejo médio", diz Scaldelai.

O plano é tornar o produto mais acessível, por meio de ganhos de escala e da criação de uma nova linha. "A nova linha, Raízes, vai ter um posicionamento mais baixo, mas ainda "premium" ante as marcas regulares; como é a Pantene, em termos de preço", afirma Scaldelai.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br