Ata do Copom avisa que o Banco Central pode frear corte de juros

Segundo o documento, efeitos cumulativos e defasados dos cortes na Selic exigem ‘máxima parcimônia’ em relação à continuidade da queda dos juros.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC), repetiu a expressão "máxima parcimônia" em relação à possível continuidade da queda dos juros básico já usada no comunicado que se seguiu à decisão, da semana passada, de reduzir a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 7,50% ao ano.



"Considerando os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, que em parte se refletem na recuperação em curso da atividade econômica, o Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia", trouxe o documento.

A inflação tende a se deslocar na direção da trajetória de metas, segundo análise feita pelos diretores do Banco Central. Desde a última reunião do Comitê, segundo o documento, o cenário prospectivo para a inflação manteve sinais favoráveis em prazos mais longos, embora para o curto prazo tenha sido impactado negativamente por choques de oferta associados a eventos climáticos, domésticos e externos.

O Copom avaliou que a recuperação da atividade econômica doméstica tem se materializado de forma gradual. Por outro lado, destacou que o cenário central contempla um ritmo de atividade mais intenso neste semestre e no próximo ano.

"O Comitê identifica recuo na probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, mas, ao mesmo tempo, pondera que o ambiente externo permanece complexo, dada a ausência de solução definitiva para a crise financeira europeia e os riscos associados ao processo de desalavancagem - de bancos, de famílias e de governos - ora em curso nos principais blocos econômicos", considerou o texto.

A demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias, mostra a ata do Copom. Isso se dará, conforme o documento, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito.

"Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos", trouxe o documento. O colegiado ressaltou que, além desses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos e a gradual recuperação da confiança criam boas perspectivas para o investimento neste e nos próximos semestres.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br