Aumento de salários eleva o risco da inflação

No curto prazo, inflação pode subir, mas tende a cair nos próximos anos, diz.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, avaliou nesta quinta-feira (30) que os ganhos salariais são importantes para sustentar a demanda por produtos e serviços e o crescimento da economia brasileira, mas também alertou que, caso haja excessos, com os reajustes subindo acima dos ganhos de produtividade, a inflação pode ser pressionada.

"Os ganhos salariais são importantes para sustentar demanda e o crescimento do consumo das famílias. Entretanto, caso haja excessos, a tendência é de repasse para os preços. Estamos simplesmente alertando para o fato de que excessos tendem a ser repassados para preços. Estamos alertando para um risco. Reconhecemos que a margem de ociosidade do mercado de trabalho é baixa e, portanto, isso é um risco", declarou Hamilton a jornalistas.

Segundo o diretor do BC, porém, os riscos para a concretização de um cenário benigno para a inflação, de forma geral, recuaram. "Desde o último relatório [divulgado em junho], reduziram-se os riscos à concretização de um cenário benigno para a inflação. O ajuste dos juros [subida da taxa básica efetuada pelo BC] em 200 pontos base [dois pontos percentuais] no segundo trimestre e início do terceiro trimestre, e as perspectivas de desaceleração das economias do G3 [Europa, Estados Unidos e Japão] contribuíram para isso. As perspectivas de crescimento da economia global caíram", disse ele.

No curto prazo, disse Carlos Hamilton, há riscos de elevação da inflação por conta da reversão da queda dos preços dos alimentos. Para os próximos anos, porém, a estimativa do Banco Central é de queda progressiva da inflação, conforme projeções divulgadas nesta quarta-feira por meio do relatório de inflação do terceiro trimestre. "Há muita incerteza, doméstica e externa, mas, de acordo com nossas hipóteses de trabalho, a convergência da inflação para o valor central da meta tende a se concretizar", informou a autoridade monetária.

Fonte: g1, www.g1.com.br