Balança comercial tem maior superávit para fevereiro desde 1989

Em feverreiro do ano passado, houve déficit de US$ 2,84 bilhões

As exportações brasileiras superaram as compras do exterior, resultando em superávit da balança comercial de US$ 3,04 milhões em fevereiro deste ano, informou nesta terça-feira (1º) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Foi o primeiro saldo positivo para meses de fevereiro desde 2012 (+US$ 1,7 bilhão) e o melhor resultado para o mês desde 1989.Até então, o maior resultado positivo para meses de fevereiro havia sido registrado em 2007, quando foi contabilizado um superávit de US$ 2,9 bilhões.

Em feverreiro do ano passado, houve déficit (importações maiores do que vendas externas) de US$ 2,84 bilhões.

EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES EM FEVEREIRO

O saldo da balança positivo da balança comercial em fevereiro se deve a um aumento das exportações, mas também, principalmente, por conta de uma forte queda nas compras do exterior, influenciadas pela forte alta do dólar e pelo menor nível de atividade econômica, segundo números oficiais.

Segundo o governo, as vendas ao exterior somaram US$ 13,34 bilhões em fevereiro e, com isso, tiveram um aumento de 4,8% sobre fevereiro de 2015. A média diária de exportações somou US$ 702 milhões, a maior para meses de fevereiro, desde 2014 (US$ 796 milhões).

Duas das três categorias de produtos, semimanufaturados e manufaturados, registraram alta nas exportações, enquanto os básicos tiveram retração de vendas no mês passado.Os dados do governo mostram que as importações continuaram recuando fortemente em fevereiro deste ano. No mês passado, caíram 34,6%, na comparação com fevereiro de 2015, para US$ 10,30 bilhões.

A média diária de importações, que é a principal forma histórica de comparação, somou US$ 542 milhões em fevereiro, o valor mais baixo para este mês desde 2009 (US$ 434 milhões).Primeiro bimestreJá no acumulado do primeiro bimestre deste ano, informou o governo, a balança comercial registrou um superávit de US$ 3,96 bilhões. Foi o primeiro saldo positivo para este período desde 2012 e o melhor resultado desde 2007 (+US$ 5,42 bilhões), ou seja, em nove anos.

Com isso, o resultado também registrou forte melhora frente ao mesmo período do ano passado, quando foi apurado um déficit de US$ 6 bilhões.Na parcial de 2016, as exportações somaram US$ 24,59 bilhões, com média diária de US$ 630 milhões (queda de 4,7% sobre o mesmo período do ano passado). As importações, por sua vez, somaram US$ 20,62 bilhões, ou US$ 528 milhões por dia útil, uma queda de 35,1% em relação ao mesmo período de 2015.

RESULTADO DE 2015

No ano passado, ainda de acordo com informações do governo, o saldo positivo (superávit) das transações comerciais do Brasil com o resto do mundo somou US$ 19,69 bilhões. Foi o maior valor para um ano fechado desde 2011, quando o superávit comercial somou US$ 29,79 bilhões.

O resultado foi influenciado pelo baixo nível de atividade. Com a economia brasileira em recessão e o dólar alto, as importações desabaram 24,3% em 2015. Dólar alto torna as vendas externas mais baratas e as importações mais caras.Ainda segundo números oficiais, a melhora da balança comercial em 2015 também foi influenciada pela queda do preço do petróleo. Como o Brasil mais importa do que vende petróleo ao exterior, o recuo do preço favoreceu a melhora do saldo comercial do país.

ESTIMATIVAS DO MERCADO E DO BC PARA 2016

A expectativa do mercado financeiro para este ano é de melhora do saldo comercial, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada.

O próprio BC também prevê melhora no saldo comercial.A previsão dos analistas dos bancos é de um superávit de US$ 40 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior para 2016. Até o momento, o Ministério do Desenvolvimento estima um superávit de cerca de US$ 35 bilhões neste ano.Já o Banco Central prevê um superávit da balança comercial de US$ 30 bilhões para este ano, com exportações em US$ 190 bilhões e compras do exterior no valor de US$ 160 bilhões.

Fonte: G1