Projeto “Balde cheio” expande a bacia leiteira do Estado do Piauí

Projeto “Balde cheio” expande a bacia leiteira do Estado do Piauí

O projeto Balde Cheio está presente em 20 municípios do Piauí

Metodologia que se vale de tecnologias para produzir leite com menor custo tem colocado pequenas propriedades dos municípios do interior do Estado entre as mais produtivas. Há dois anos no projeto de transferência de tecnologia, Balde cheio, municípios como Parnaíba, Cocal e Miguel Leão, têm aumentado a produção em pelo menos 50%.

O projeto Balde Cheio está presente em 20 municípios do Estado e tem duração de 4 anos, capacitando técnicos e produtores. Em dois anos de atuação, o projeto, segundo um de seus coordenadores, Walter Silas, da Secretaria de Desenvolvimento Rural, tem demonstrado bons resultados. É o caso do sítio Santa Maria, em Parnaíba, que começou do zero e hoje produz 400 litros de leite em 2 hectares de terra, ficando entre uma das maiores propriedades produtoras de todo o Brasil.

Segundo Valter, em Cocal, outra propriedade, do produtor Eliéser Quaresma e Silva, de 50 anos e a sua esposa Maria Das dores Machado e Silva, também tem demonstrado resultados. Ao iniciar com a metodologia, se produzia 60 litros de leite por dia e hoje consegue produzir 200 litros, utilizando menos hectares que antes.

No total são 31 proprietários envolvidos em todo o Piauí, no Brasil, são mais de 500, dando resultado,principalmente para pequenos produtores. O projeto Balde Cheio, também trabalha com grandes proprietários, no entanto, tem servido para comprovar que pequenos produtores, podem demonstrar bons resultados.

?Para os pequenos produtores os resultados são mais sensíveis e expressivos. Sem dúvidas, a metodologia demonstra que é possível produzir leite de boa qualidade, reduzindo os custos, o que era antes, um dos maiores empecilhos para entrada de pequenos produtores neste ramo de produção?, diz Valter.

Piauí importa atualmente 70% do leite consumido pela população

Atualmente, o Piauí importa 70% do leite que consome de estados como Maranhão, Goiás e Tocantins, ou seja, apenas 30% é produzido internamente. O setor de laticínios no Estado tem potencial para receber 300 mil litros de leite, no entanto os produtores do Estado só encaminham cerca de 80 mil litros.

Para Walter Silas, o Piauí tem grande potencial que está sendo subaproveitado. ?A nossa produção, não corresponde ao potencial, já instalado das indústrias de laticínios no Estado?, diz, acrescentando que com as indústrias instaladas é possível abrir caminhos para este ramo da produção.

Segundo Walter, com a chegada de duas empresas de laticínios no Estado, tem feito com que prefeituras procurem o projeto Balde Cheio para mais adesão. ?Agora novas prefeituras já nos procuraram para aderir ao projeto?.

Walter lembra que com a metodologia do Balde Cheio é possível colocar na rota de produção pequenos agricultores que antes não poderiam produzir por conta dos altos custos. Hoje há pequenas propriedades que vendem o litro de leite a 95 centavos e gastam em torno de 45 centavos para produzir. ?Ainda temos que melhorar a produção do leite e a metodologia do Balde Cheio, mas até agora o projeto tem demonstrado resultados e pode, dar mais frutos?, conclui. (D.B. e S.F.)

Tecnologia ajuda a produzir devastando menos a natureza

As tecnologias utilizadas pelo projeto Balde Cheio, segundo os idealizadores tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas do campo criadoras de gado leiteiro com o aumento da produção de leite, mostrando que é possível produzir grande quantidade de leite de qualidade mesmo com poucos animais e em pouco espaço.

Para isso levam em conta, um maior aproveitamento do solo, como um dos eixos. Segundo Walter Silas, no sistema de produção comum, os produtores utilizam 1 hectare de terra para cada animal, o que inviabilizava a entrada de pequenos produtores no setor. Com a tecnologia do balde cheio, se utiliza 20 vacas a cada hectare, reduzindo drasticamente a área.

?Com isso nós precisamos devastar menos os solos, tendo em mente também à proteção ambiental. Para isso, nós fazemos uma divisão do terreno em quadros com cerca, onde as vacas vão se alimentar de capim com qualidade todos os dias, em sistema de rotação?, explica Walter.

De acordo com Walter, um dos maiores custos para produção de leite no sistema convencional, é justamente, com a alimentação e mão de obra.

Com esta tecnologia, o gado utiliza bem menos ração, pois come capim de excelente qualidade. Ele conta ainda que, com isso, se aumento a sanidade do animal, pois com alto consumo de ração, o gado apresentava mais problemas de saúde e produzia menos. ?Quando se dá muita ração o animal apresenta problemas no estômago, pois ele é ruminante?, esclarece. Outro ponto é que o gado vai direto ao pasto se alimentar, isto no sistema tradicional, não é possível, o que aumento o número de gastos com mão de obra, já que era necessário cortar o capim e levar às vacas.

?Isso também um ponto que conta a favor do pequeno produtor, que reduz gastos. Para isso, a metodologia trabalha intensivamente a correção dos solos, para que possamos ter capim de excelência para alimentar as vacas diariamente?.(D.B. e S.F.)

Fonte: Djalma Batista e Sarah Fontenele