Bancários prometem ampliar movimento grevista esta semana

Bancários prometem ampliar movimento grevista esta semana

Os grevistas afirmam que tentaram entrar em contato com a Federação Nacional dos Bancos para negociar.

Após quase uma semana de greve e sem evolução do diálogo, os trabalhadores bancários prometem continuar a paralisação e ampliar o movimento nesta semana.

A greve começou na terça-feira (18) passada e, segundo o Comando Nacional da categoria, 35 mil funcionários já estão de braços cruzados só em São Paulo, Osasco e em outras 17 regiões vizinhas.

Segundo os sindicatos, cerca de 10 mil agências e centros administrativos não estão funcionando em todo o país.

Os grevistas afirmam que tentaram entrar em contato com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) para negociar o reajuste salarial e outras demandas do trabalhadores, mas alegam que não tiveram retorno.

Enquanto os trabalhadores reivindicam 5% de aumento real, os bancos propõem 0,58%.

Se apenas essa proposição for apresentada, diz o Comando Nacional de Greve da categoria, haverá uma mobilização cada vez maior dos trabalhadores.

O Banco do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco ingressaram na Justiça com interditos proibitórios contra o direito de greve dos bancários. Na manhã desta segunda-feira, a Justiça reconheceu o direito dos trabalhadores e todas as liminares dos interditos foram cassadas.

Nesta segunda-feira, (24) uma assembleia ocorre para definir os rumos do movimento.

PRESSÃO

A greve dos bancários, que começou na terça-feira (18), ganhou força ao longo da semana passada. Enquanto a adesão foi de 5.132 agências e centros administrativos (24% das 21.713 localidades em todo o país) no primeiro dia de paralisação, esse número cresceu 77% e chegou a 9.092 locais (42%) no 4º dia de greve, segundo o sindicato da categoria.

De acordo com o sindicato, na sexta-feira os bancos ignoraram novamente uma tentativa de negociação do comando nacional da greve --que se reuniu em São Paulo.

As lideranças nacionais orientaram os representantes dos sindicatos de todo o país a intensificarem a mobilização nas bases para forçar a Fenaban a romper o silencio e retomar as negociações.

Na quarta, diante do silêncio da Fenaban, o presidente da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e coordenador do comando nacional dos bancários, Carlos Cordeiro, disse que a paralisação iria se estender até a próxima semana. "A possibilidade de a greve acabar nesta semana é nenhuma."

Cordeiro disse à Folha que, a partir do momento em que a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) convocar os grevistas para uma nova rodada de negociação, será necessário chamar o comando nacional após o encontro, para apresentar a proposta, e então realizar as assembleias locais.

Assim, a paralisação só acabaria, na melhor das hipóteses, dois ou três dias após a convocação do sindicato dos bancos.

REIVINDICAÇÕES

Os bancários reivindicam reajuste de 10,25% (5% de aumento real), além de piso salarial de R$ 2.416,38, participação de lucros de três salários mais R$ 4.961,25 fixos, elevação para R$ 622 os valores do auxílio-refeição, entre outros pedidos. Os bancos ofereceram reajuste linear de 6% (0,58% acima da inflação).

Os funcionários dos Correios pedem 43,7% de reajuste salarial, aumento linear de R$ 200, tíquete-alimentação de R$ 35 e a contratação de 30 mil trabalhadores, entre outras reivindicações. A estatal oferece reajuste salarial de 5,2% (reposição da inflação dos últimos 12 meses).

A companhia tenta resolver a questão no TST, com um acordo de dissídio coletivo para os funcionários, como aconteceu no ano passado. Em 2011, o tribunal decidiu pelo reajuste de cerca de 6% mais R$ 80 linear para suspender a greve de 28 dias.

Mas o julgamento do dissídio deve ocorrer apenas no início de outubro. É no começo do mês que vem que ocorre a próxima reunião ordinária da SDC (Sessão Especializada em Dissídios Coletivos) do tribunal, que julga esse tipo de causa trabalhista. A única possibilidade de a questão ser apreciada antes do prazo é a convocação de uma sessão extraordinária da SDC.

SERVIÇO

Com a paralisação, a Febraban orienta os clientes a procurar um canal alternativo para realizar os serviços durante o período de greve.

Segundo a entidade, o consumidor deve ver se há a disponibilidade de fazer as operações por meio de caixas eletrônicos, internet banking, mobile banking (via celular), telefone e correspondentes bancários --casas lotéricas, agências dos Correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados.

SAQUES

Caso o cliente queira fazer saques acima de R$ 1.000 --o máximo permitido por dia em caixas eletrônicos--, poderá fazer transferências por meio de DOC (o documento de crédito) ou TED (transferência eletrônica disponível) nas próprias máquinas, pela internet, pelo telefone e até mesmo no aplicativo do banco pelo celular.

Por meio dessas operações, é possível realizar transferências envolvendo dois bancos distintos.

Segundo o Procon-SP, nesses casos pode haver ainda atendimento emergencial nas agências ou o banco pode aumentar o limite de saque nos próprios caixas eletrônicos.

Se o cliente tiver algum prejuízo em virtude de não conseguir sacar o valor que precisa, poderá acionar o banco posteriormente, já que a entidade é a responsável pelos danos causados em função da interrupção dos serviços.

Caso o consumidor solicite uma alternativa de pagamento e as empresas não a disponibilizem, ele deve documentar a tentativa frustrada de quitar o débito, podendo registrar uma reclamação junto ao Procon.

De acordo com a entidade, o consumidor não pode ser prejudicado por problemas decorrentes da greve, uma vez que a responsabilidade do banco pelos prejuízos causados aos consumidores decorre do risco de sua atividade e não pode, a pretexto de greve, ser repassado ao consumidor.

PIS, FGTS E SEGURO-DESEMPREGO

A Caixa Econômica Federal diz que disponibilizará toda a sua rede de agências, casas lotéricas, postos de atendimento bancário, terminais de atendimento eletrônico e correspondentes bancários para garantir o atendimento durante a greve.

No caso de saque de seguro-desemprego, PIS e FGTS, o trabalhador poderá fazer as operações em um casa lotérica ou em um correspondente bancário.

Em caso de novos pedidos, a trabalhador terá que procurar uma agência aberta ou, caso não encontre, deverá entrar em contato com a Caixa para buscar uma forma alternativa.

ATENDIMENTO EM LOTÉRICAS

O atendimento nas lotéricas é feito das 8h às 18h, exceto nas localizadas em estabelecimentos como shoppings e supermercados, que costumam ficar abertas até as 19h ou até o horário estipulado pelo regulamento interno dos locais.

Boletos bancários da Caixa Econômica Federal podem ser pagos em qualquer dia do mês. Já as contas emitidas por outros bancos só são aceitas pelos atendentes das lotéricas se estiverem dentro do prazo de vencimento e se não ultrapassarem valores maiores do que R$ 700.

COOPERATIVAS

Os associados de instituições financeiras que atuam no modelo de cooperativa de crédito poderão utilizar os serviços normalmente, já que essas instituições não tiveram adesões à greve. Apesar de oferecerem os mesmos serviços dos bancos, as cooperativas de crédito não são vinculadas aos sindicatos dos bancários.

De acordo com o Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil), clientes de outros bancos poderão pagar contas de água, luz, telefone, boletos bancários, carnês, IPVA e todos os tributos com códigos de barra que ainda estejam no prazo de vencimento em qualquer ponto de atendimento do sistema.

O Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo) também afirma que todas as operações seguem ocorrendo em seu sistema, como saques, depósitos, pagamentos, poupanças, investimentos e outros.

Fonte: UOL