Brasil já sofre com falta de mão de obra

Brasil já sofre com falta de mão de obra

Medo de perder o emprego já é passado para os brasileiros

O mercado de trabalho foi um dos últimos a se recuperar da crise, mas o medo de perder o emprego já é passado para os brasileiros. Empresas, comércio e serviços não só voltaram a contratar, como faltam trabalhadores com qualificação suficiente para preencher vagas. Empresários e analistas temem a repetição do "apagão de mão de obra" de 2008, o que comprometeria o avanço sustentável da economia.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) José Pastore, especialista em trabalho explica que o crescimento do país não acompanha o ritmo de trabalho qualificado.

- Toda vez que o Brasil cresce 4,5% ou mais, falta mão de obra qualificada.

No mercado, prevê-se que o PIB (Produto Interno Bruto) suba de 5% a 6% este ano. O déficit de trabalhadores qualificados é preocupante na construção civil, mas ocorre também no agronegócio, na saúde, em hotéis e até em alguns ramos da indústria.

Uma estimativa da consultoria LCA, com base no Caged (Cadastro Geral de Trabalhadores) e na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), aponta que o número de brasileiros empregados atingiu 32,28 milhões em novembro de 2009, 1,1 milhão a mais que em outubro de 2008, antes da crise, quando o problema de falta de mão de obra qualificada era grave. Em dezembro, com a demissão dos temporários contratados para o Natal, caiu para 31,87 milhões, 685 mil a mais que antes da crise.

Há uma diferença entre os setores. Na construção, no comércio e nos serviços, o número de empregados supera o nível anterior à crise. Na indústria, há 289 mil pessoas sem emprego em relação a outubro de 2008. O economista da LCA, Fábio Romão, prevê que a indústria retomará o nível de antes da crise em meados do ano.

- Tem um estoque de trabalhadores qualificados à disposição no setor.

Já o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, não está muito otimista.

- Em alguns meses, teremos falta de mão qualificada geral.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: R7, www.r7.com