Brasileiros alugam imóveis em Punta e ajudam argentinos a amenizar crise

Brasileiros alugam imóveis em Punta e ajudam argentinos a amenizar crise

Com crise no país e dificuldade de comprar dólares, argentinos reduzem frequência no balneário uruguaio e colocam seus imóveis à disposição no mercado

O verão não será o mesmo para os argentinos neste ano. Com crise econômica no país, vários hábitos dos mais endinheirados tiveram de ser revistos, entre eles, o tradicional passeio de verão ao balneário de Punta Del Este , no Uruguai. Até poucos anos atrás, os vizinhos argentinos vinham sendo os principais investidores no mercado imobiliário em Punta Del Este ? seguidos pelos uruguaios e pelos brasileiros.

Segundo Alberto Prandi, dono da Alberto Prandi Servicios Inmobiliarios ex-presidente da Asociación de Inmobiliarias de Punta del Este (Adipe), a restrição argentina à compra da moeda americana tem dificultado, também, as viagens de verão. Os menos endinheirados, no entanto, já abrem mão de seus imóveis ? a cidade está forrada de placas de venda e aluguel em boa parte dos empreendimentos.

Os principais inquilinos na alta temporada têm sido os brasileiros, que encontraram em Punta del Este um destino internacional com preço amigável ? além da proximidade. Os imóveis estão à disposição. Para 15 dias no balneário, um apartamento de um quarto sai por US$ 2,5 mil, o equivalente a R$ 5,7 mil. Um imóvel de três quartos sai por US$ 6,5 mil, o equivalente a R$ 14,9 mil.

Concorrência com hotéis

As características turísticas locais facilitam o trabalho das imobiliárias. ?A oferta hoteleira é infinitamente menor que de casas e apartamentos para temporada?, explica Prandi. ?Enquanto o setor hoteleiro tem cerca de 15 mil leitos, o setor imobiliário conta com 280 mil ?camas? em 70 mil propriedades.?

Basta chegar a primavera para que o mercado comece a se agitar em Punta Del Este. Segundo Betty Pereira, corretora da Eure-k Propriedades, os brasileiros têm sido os principais interessados em aluguel de imóveis para veraneio na região. ?Os primeiros interessados começam a aparecer em outubro, por que o preço ainda está bom?, diz Betty.

É no frio, no entanto, que as melhores oportunidades de negócios acontecem. Com os imóveis desvalorizados por conta da baixa temporada, a maior parte das negociações de grande porte costuma acontecer entre maio e setembro. ?Vendemos mais no inverno, mas neste ano o movimento não cresceu?, diz Betty.

Em melhores condições, há quem prefira manter seu dinheiro investido em imíveis em vez de deixá-lo sob a tutela de algum banco de seus países. ?Muitas vezes têm preferido o dinheiro investido nos ?tijolos? e fora da Argentina ?, conta Florencia Sáder, dona da Sáder, imobiliária local. Os tempos áureos se foram. ?O mercado de vendas está bem lento, o mesmo não pode ser dito do mercado de aluguéis?, diz Florencia.

Nenhum dos outros vizinhos de Punta Del Este está, por assim dizer, em plena bonança ? até os brasileiros diminuíram o apetite pelo mercado local. Com menos compradores gerando demanda no mercado de vendas, boa parte dos imóveis de argentinos acabam direcionados ao mercado de aluguéis.

Novas badalações

Quem ainda tem dinheiro na mão prefere fugir para La Barra ? região mais badalada e mais cara também. ?Passou da ponte ondulada, tudo fica mais caro ? dos imóveis até os serviços?, conta a corretora.

No entanto, é em José Ignácio que os endinheirados têm se escondido. A cidade, ainda dentro da província de Maldonado, fica a cerca de 25 quilômetros da ponte Leonel Vieira, conhecida como ponte ondulada.

Lá, os hotéis e prédios não são permitidos ? somente casas e condomínios horizontais.

A modalidade que tem feito mais sucesso são os chamados ?condohoteis?, que funcionam como flats ou apart hotéis brasileiros ? os imóveis têm um dono, mas contam com serviços de hotel. O preço, naturalmente, acompanha a exclusividade do serviço ? um imóvel simples de um quarto parte dos US$ 225 mil, o equivalente a R$ 517,5 mil.

Fonte: IG