""Cadê o FMI agora?"", diz Lula sobre crise nos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira, 7, Fundo Monetário Internacional

O presidente Luiz In?cio Lula da Silva criticou nesta ter?a-feira, 7, o Fundo Monet?rio Internacional (FMI) pela falta de atua??o na crise internacional. "Quando era o Brasil ou a Argentina que apresentava uma crise, o FMI sempre dava palpite e ditava o que fazer ou n?o fazer. Cad? o FMI agora?", indagou. Lula ressaltou que se a turbul?ncia chegar ao Brasil, "chega mais leve" e voltou a negar a exist?ncia de um pacote anticrise no Pa?s.

Em discurso a uma plat?ia de cerca de tr?s mil trabalhadores metal?rgicos em Angra dos Reis, Lula garantiu que a crise econ?mica mundial n?o chega ao Brasil. "Esta ? a primeira vez que um governo n?o precisa explicar ao povo que a crise ? internacional e n?o local. Todos est?o cansados de ouvir isso. Mas muitos acham que ? prepot?ncia minha dizer que esta crise n?o chega ao Brasil. Digo e insisto: se chegar, chega mais leve, mesmo que haja quem esteja torcendo para ela chegar logo e causar estragos", disse.

Inspirado por par?bolas e por frases chav?es, Lula abusou da ret?rica para cravar ao p?blico local: "Todo mundo sabe que o que est? acontecendo se deve a especula??o financeira que come?ou nos Estados Unidos. Eles brincaram com a economia mundial e na hora que a porca entorta o rabo, sobra pra n?s", disse, para lembrar em seguida que "desta vez ser? diferente", por que o Pa?s fez como "na hist?ria da cigarra e da formiga: enquanto eles cantavam, a gente trabalhava". A cita??o foi feita com rela??o ao fato de o Brasil ter conseguido quitar sua d?vida internacional e hoje estar endividado apenas em real e n?o mais em d?lar.

"A crise americana ? muito profunda. talvez seja a maior crise nos ?ltimos 50 anos. S? teve igual a esta em 1929. E ela est? chegando na Europa. porque os bancos europeus participaram do cassino imobili?rio dos Estados Unidos", disse o presidente, lembrando que nas crises do M?xico, ?sia e R?ssia, os "rombos" da economia mundial foram bem menores, em torno de US$ 50 bilh?es e o Brasil "quase quebra". "Mas esta, nos Estados Unidos, enquanto o rombo j? ? de US$ 1 trilh?o s? l? dentro. A m?goa deles e de alguns aqui dentro ? de que o Brasil n?o quebrou. Eu n?o estou dizendo que n?o teremos dificuldades, mas que at? agora estamos em p?".

Andando de um lado para o outro, em cima de um palanque montado em meio ao estaleiro Brasfels, onde foi batizada a plataforma P-51 da Petrobras, Lula afirmou ainda que tanto os Estados Unidos quanto a Europa, "fingiram que n?o tem crise". "Eles s?o iguais aquelas pessoas que n?o gostam de pobre. V?o para a reuni?o do G8, querem falar da Amaz?nia, mas n?o falam de crise".

Pacote

O presidente foi bastante enf?tico ao afirmar que a atual crise n?o dever? motivar a forma??o de um pacote econ?mico no Pa?s. "N?o haver? nenhum pacote econ?mico", disse. Ele ainda reiterou que "todas as vezes em que houve um pacote econ?mico no Brasil, o trabalhador ? que foi prejudicado."

O presidente ressaltou que foram tomadas medidas econ?micas de apoio aos bancos pequenos e aos exportadores. "Cada medida ser? tomada conforme ela for exigida no dia-a-dia", disse. Falando em tom paternal aos presentes, Lula acusou os Estados Unidos de terem feito a "farra do boi" com o dinheiro p?blico. "O trabalhador sabe que se fizer a farra do boi com seu sal?rio, quem vai pagar ? o seu filho. E a gente n?o deve governar um pa?s, mas cuidar de um pa?s, como se cuida de uma fam?lia, sabendo que quem vai sofrer as conseq??ncias s?o os nossos filhos", disse.

Ele destacou que espera que o "pacote americano ajude a resolver o problema deles". "Mas pelo amor de Deus, agora que deixamos de comer o p?o que o diabo amassou e come?amos a comer um p?ozinho com mortadela, eles que n?o venham querer se socializar com a gente. Este tipo de socialismo n?o queremos. Queremos socializar a bonan?a e n?o a mis?ria."

Ainda falando sobre a crise, o presidente defendeu ? plat?ia que ? preciso que "ningu?m se abale com a crise". "? preciso que cada um de n?s acredite que o Pa?s se encontrou com seu destino e n?o h? nada no mundo que vai fazer com que reapare?am o desemprego, a mis?ria e o abandono. A crise gera especula??o, gera desconfian?a e depois cidad?o fala que n?o vai gastar seu dinheiro e vai guardar. Pe?o a voc?s que n?o fa?am isso, e continuem fazendo a mesma coisa que estavam fazendo."

Alencar

Tamb?m falando nesta ter?a, o vice-presidente da Rep?blica, Jos? Alencar, afirmou que a crise mundial de cr?dito "? muito s?ria, atingiu os mercados dos Estados Unidos e da Europa e, obviamente, o Brasil pode sofrer (as conseq??ncias)." Fez, por?m, a ressalva de que considera a situa??o brasileira "bem diferente", porque, segundo ele, os bancos brasileiros n?o trabalham com a "alavancagem" com que trabalham os bancos dos pa?ses europeus e dos EUA. Nesses pa?ses, disse, h? casos de "mais de 30 a 40 vezes a alavancagem do patrim?nio l?quido dos bancos."

Ap?s participar, no Congresso, de solenidade de comemora??o dos 20 anos da Constitui??o, Alencar afirmou, em entrevista, que a crise mundial ? "de confian?a - ou de desconfian?a no sistema banc?rio". No entender do vice, por?m, o sistema banc?rio brasileiro "est? muito bem, est? capitalizado e n?o trabalha com os abusos que aconteceram nos EUA." Por isso, afirmou, o Brasil tem condi?es de passar pela crise sem grandes problemas.

"N?o podemos fazer ju?zo precipitado, porque a quest?o do cr?dito flui naturalmente. H? demanda natural das atividades produtivas por cr?dito e dos exportadores por cr?dito. E esse cr?dito tem que ser examinado caso a caso, n?o pode ser liberado a torto e a direito, tem que ser liberado com seguran?a absoluta. N?s n?o podemos liberar cr?dito sem aquele crit?rio rigoroso. ? preciso ver a garantia oferecida pelo tomador", advertiu Alencar.

Ele previu que no Brasil n?o faltar? dinheiro, porque "o pr?prio governo j? tomou provid?ncias de reduzir o compuls?rio (dos bancos), para colocar mais recursos ? disposi??o e aumentar a liquidez do sistema. "O Brasil est? em condi?es de fazer a travessia e nos levar a Porto Seguro."

Fonte: Estadão