Caio David é eleito o melhor diretor financeiro da A. Latina

Caio David é eleito o melhor diretor financeiro da A. Latina

Eleito melhor CFO da região, Caio David, do Itaú Unibanco, pretende fazer a área financeira se integrar

Quem conhece o executivo Caio Ibrahim David sabe que ele não é muito afeito a brincadeiras. Reservado, com o tom de voz baixo e calmo, só muda a postura para falar dos dois filhos. ?O mais velho, de 11 anos, tem interesse natural nas minhas atividades. Outro dia me perguntou quando eu vou abrir um banco com ele?, brinca David, diretor executivo do Itau Unibanco. ?Quem sabe um dia abrimos um?, diz o executivo, que, em seguida, retoma a feição séria para detalhar o projeto que, pretende, deverá mudar o funcionamento da área de finanças do maior banco do País. Durante os próximos dois anos, a equipe liderada por ele vai se aproximar dos demais setores do banco, como seguros, cartões de crédito, banco varejo e banco de investimento para, aos poucos, tentar ajudar na melhoria de seu desempenho.

?O objetivo é agregar valor às decisões?, diz. Em outras palavras, os controles financeiros e contábeis, até então limitados às atividades originais da área de finanças, terão o objetivo de contribuir com as estratégias de cada negócio. A equipe de David, além das atividades tradicionais de controladoria, como a contabilidade da empresa, vai estudar a fundo todos as operações, mercados e produtos do Itaú Unibanco. ?Assim, nossa área vai contribuir com os negócios do banco, seja na constituição de novos produtos e serviços ou na definição da estratégia de novos mercados.?

Para levar à frente a estratégia traçada, David, há duas décadas no banco, tem o trunfo de ter sido eleito o melhor diretor financeiro ? ou CFO, sigla em inglês para ?chief financial officer?- do País. ?Do Brasil não, da América Latina?, corrige. A escolha do CFO foi feita por analistas e investidores de todo o mundo, para um ranking organizado pela revista norte-americana Institutional Investor. Na hora de votar, foram consideradas transparência, credibilidade, qualidade e profundidade das respostas dadas aos investidores durante o ano.

Para aproximar a área financeira das demais, estão sendo feitos investimentos em profissionais ? que terão de conhecer a fundo cada um dos negócios do banco ? e plataformas operacionais. O valor do projeto, ele não diz. ?Claro que por ano são alguns milhões, mas não é isso que vai afetar o resultado do banco.?

A inspiração do executivo para ideias como esse projeto não vem apenas do mercado brasileiro, mas também de fora. David é estudioso de modelos de gestão de finanças de companhias estrangeiras. ?Não só de instituições financeiras?, afirma. Processos contábeis, controles de operações e planos negócios de diversas companhias - de áreas que vão desde tecnologia ao consumo - são leituras de praxe do executivo.

A mesma dedicação, David exige dos profissionais com quem trabalha. ?Oriento o comprometimento com a empresa.? Quando questionado sobre que tipo de comportamento ele não tolera entre seus funcionários, apenas diz: ?Eu tento mostrar essas grandes oportunidades que temos aqui para quem trabalha comigo.? Assim, deixa claro que desaprova os acomodados. Aos 42 anos, ele se considera ?um fruto do investimento do banco?. Formado em engenharia, ele desenvolveu sua carreira com incentivo do Itaú Unibanco, por exemplo, com um MBA na New York University com especialização em finanças, contabilidade e negócios internacionais.

?Sem dúvidas, hoje estou no melhor momento de minha carreira?, afirma. Ele está feliz na área de finanças, que reassumiu em abril após oito anos à frente do Itaú BBA, o banco de atacado, de investimento e também a tesouraria do grupo. ?Voltei para a minha área de origem?, diz. Quando pisou no então Itaú pela primeira vez, em 1987, foi para ser trainee das áreas de controladoria e controle de risco de mercado.

?Passados 20 anos, o banco tem uma posição de líder no mercado nacional e na região e muitos outros desafios?, diz. Ele destaca os três principais objetivos para o ano que vem: estruturar a equipe, desenvolver uma plataforma operacional ágil e concretizar as sinergias resultantes da fusão entre Itaú e Unibanco, que completou dois anos. Os dois primeiros estão muito ligados ao novo projeto da área. O terceiro, segundo ele, faz parte de um processo que teve ?muito êxito?, mas ainda está em curso. ?Existe um legado que estamos desativando e convergindo, o que deve levar mais um ano.? Em 2012, afirma, ?teremos um ano cheio?.

Até setembro de 2010, a consolidação do banco custou mais de R$ 1 bilhão apenas para integração e transformação de agências ?Unibanco? em ?Itaú Unibanco?. O custo teve impacto, mas não comprometeu os números do grupo, que lucrou R$ 9,4 bilhões nos nove primeiros meses do ano, 37,6% acima do resultado do ano anterior. Em valor de mercado, o banco terminou o período como a décima maior instituição financeira do mundo. ?É uma grande responsabilidade ter esse porte e estar numa posição de tamanha projeção no mundo?, diz David. Os ativos do banco somavam R$ 686,2 bilhões em 30 de setembro.

Para seguir nesse ritmo de crescimento e manter um posto ameaçado de perto pelo Bradesco ? que tem R$ 611,9 bilhões em ativos ? o executivo afirma que muita atenção será dada ao crédito imobiliário e aos novos clientes, que ainda não têm conta em nenhum banco. Mas, diferente da bancarização de pessoas físicas, tão falada neste ano, ele diz que o banco vai olhar também para empresas menores. ?Há muitas pequenas e médias sendo constituídas em função da demanda interna do País.? Outro aspecto que anima o Itaú Unibanco com esse público é a maior formalidade da economia. ?Isso traz mais gente ao setor financeiro?, afirma. Com um sorriso de canto, discreto, mas que não esconde sua empolgação, ele acrescenta: ?Temos uma conjuntura bem interessante?.

Atento a essa ?conjuntura?, o que não poderia ser diferente para quem está em uma das cadeiras mais importantes do banco, David comemora a última grande decisão econômica do governo em 2010. Para ele, o pacote de crédito de longo prazo, anunciado em meados de dezembro, é ?muito saudável?. ?Sempre que a gente puder ter instrumentos que fomentem operações visando investimento em infraestrutura, é muito positivo?, diz o executivo, que, em seguida, olha para o relógio - desta vez sem disfarçar, mas ainda assim de forma gentil -, e agradece a entrevista. ?São 9 horas, tenho uma reunião com o Alfredo.? Pontualmente, como combinado, ele deixa a sala de reunião, passa pelas paredes laranjadas e azuis da sede do banco e, sem perder a elegância de um CFO, quase corre para o elevador.

Fonte: IG