Copa criou 1 milhão de empregos no país desde 2011, garante governo

Segundo a Embratur, os empregos permanentes representam quase 15% dos 4,8 milhões de empregos gerados no governo de Dilma Rousseff.

A realização da Copa no Brasil permitiu a criação de 1 milhão de empregos formais no país desde 2011, segundo afirmou o presidente da Embratur, Vicente Neto, em evento na tarde desta quinta-feira (19), no Forte de Copacabana, no Rio.

"Desses, 710 mil são empregos permanentes. É um número significativo, e que estamos comemorando", disse Neto.

Segundo a Embratur, os empregos permanentes representam quase 15% dos 4,8 milhões de empregos gerados no governo de Dilma Rousseff.

Neto lembrou que a cadeia de turismo mobilizada pela Copa movimentou R$ 6,7 bilhões em 2014, como o governo já havia divulgado. A conta, preliminar, considera o comércio e a prestação de serviços voltados a turistas e à organização do evento.

O presidente da Embratur informou ainda que o governo aproveitará os resultados da Copa para discutir de que forma usará as Olimpíadas para favorecer o fluxo de turistas brasileiros e estrangeiros por todo o país.

Diferentemente da Copa, cujos jogos acontecem em 12 Estados, as Olimpíadas se concentram em uma única sede, o Rio de Janeiro.

"Vamos aproveitar a experiência da Copa e seus acertos, fazer as correções necessárias para apresentar o plano de promoção internacional com ênfase na atividade esportiva, porque temos os Jogos Olímpicos", diz Neto.

"MEGAEVENTO É INSUSTENTÁVEL"

Convidados pelo governo para participar da entrevista coletiva ao lado do presidente da Embratur, dois especialistas afirmaram reconhecer os benefícios de realização de um megaevento esportivo, mas criticaram a forma como sua organização foi executada pelas autoridades brasileiras e como atuam as entidades esportivas internacionais ?Fifa e COI (Comitê Olímpico Internacional)? no processo.

Lamartine da Costa, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da University of East London, afirmou que os megaeventos são benéficos "para acelerar as coisas internas do país". No entanto, diz, são "insustentáveis no ritmo como atualmente são impostos".

"Está acontecendo uma mudança. Sete ou oito cidades abandonaram propostas de sediar os Jogos Olímpicos de inverno. Já está havendo abandono dos países com relação aos megaeventos", diz Costa.

De acordo com o professor, os episódios mostram como os governos têm repensado a atitude em relação à gestão e à condução dos jogos. "Que legitimidade têm o COI e a Fifa para se dirigir a tantos países pela mídia e mexer na organização interna desses países?"

Segundo ele, os efeitos não podem ser analisados antes ou durante o evento, mas ao longo de vários anos. "A faceta negativa aparece no longo prazo. Não é o torcedor invadindo estádio que vai dizer o que é o evento".

"GRANDES FESTAS"

Professor da Fundação Getúlio Vargas, Pedro Trengouse diz que Copa e Olimpíadas são apenas "grandes festas". "Desde Barcelona se criou uma ideia de que Copa do Mundo e Olimpíadas transformam uma cidade e um país. Isso não é verdade. Esses eventos não passam de grandes festas, sem desmerecer a importância de uma grande festa", disse Trengouse.

Para ele, porém, os benefícios são maiores que os malefícios, e os custos, muito menores em proporção ao tamanho da economia brasileira. No entanto, para ele, o modelo de organização "que se apresenta para o mundo como solução para problemas estruturais não pode continuar".

"O Estado não desenvolve agenda própria. Fica apenas em função das exigências dos comitês. Construir aeroportos deveria acontecer de qualquer forma. O Brasil poderia ter desenvolvido ações de seu próprio interesse. Por que não discutiu com a Fifa os problemas do futebol brasileiro, que gera 300 mil empregos?", diz.

O especialista da FGV critica ainda o fato de não terem sido pensadas alternativas de os brasileiros participarem mais ativamente da Copa brasileira.

"Gastaram R$ 8 bilhões na construção de estádios. Por que não gastaram mais um bilhão para organizar grandes eventos públicos para as pessoas que não conseguiram comprar ingresso terem uma experiência diferenciada de Copa? O brasileiro está vendo que gastou muito com a Copa, mas está assistindo aos jogos da mesma forma que assistiu à Copa do Japão."

Fonte: Folha