Crise mundial financeira ""esfria"" febre da casa própria com os altos juros no Brasil

Para o consumidor, a mudança se traduz em mais gastos na compra da casa própria

Ainda n?o ? o fim da festa, mas os brigadeiros em cima da mesa podem estar escasseando. Em 2007, o financiamento imobili?rio com recursos da poupan?a cresceu quase 100% frente ao ano anterior, levando o setor ? sua maior expans?o em d?cadas. Agora, a crise financeira mundial amea?a transformar esses bons ventos em brisa.

O respons?vel pela piora no cen?rio ? o aperto no cr?dito que o pa?s tem come?ado a sentir: com o dinheiro em falta l? fora, os bancos tendem a proteger mais seus pr?prios recursos.

Nessa tend?ncia, tr?s grandes bancos brasileiros aumentaram no in?cio do m?s a taxa de juros para o financiamento da casa pr?pria. O Bradesco mudou a taxa de 9% para 10,5% ao ano para im?veis at? R$ 120 mil. O Ita? reajustou o teto dos juros cobrados para 12%. No Unibanco, a taxa passou de 11% para 12%.

"Isso ? o teto. Se o banco fazia (o financiamento) a 9%, n?o quer dizer que vai fazer a 12%, mas que se sente livre para variar mais as taxas. Agora eles v?o estudar muito bem quem s?o os tomadores de cr?dito e dar taxas melhores ?queles clientes em que t?m mais confian?a", diz Jo?o Crestana, Secovi-SP, sindicato do setor imobili?rio.

No bolso do consumidor

Para o consumidor, a mudan?a se traduz em mais gastos. Em um financiamento em 20 anos, o pre?o final do im?vel pode ficar at? 29% mais caro, segundo um levantamento da Associa??o Nacional dos Executivos de Finan?as (Anefac).

Segundo o autor do estudo, Miguel de Oliveira, antes da alta dos juros o consumidor pagava por um im?vel de R$ 120 mil, em m?dia, 240 presta?es de R$ 966,74, em um total de R$ 232.017,60. Agora, o valor final soma R$ 299.455,20.

"Com o aumento dos juros, voc? afeta a presta??o. E a presta??o aumentando, come?a a criar problemas no bolso de uma fatia dos potenciais compradores. Em determinado segmento, pode at? inviabilizar a compra", avalia Luiz Paulo Pomp?ia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrim?nio (Embraesp).

Brasil X EUA

Embora seja reflexo da crise no exterior, a restri??o do cr?dito no Brasil tem natureza diferente da que ocorre l? fora. Nos Estados Unidos e na Europa, os bancos v?m sofrendo preju?zos enormes, que t?m origem no n?o pagamento de hipotecas imobili?rias. Sem recursos, o cr?dito some.

J? os bancos brasileiros est?o em situa??o diferente: sem cr?ditos podres em carteira, gozam de boa sa?de financeira. Ocorre que muitos deles se financiam com recursos do exterior ? e com o dinheiro l? fora escasso, evitam correr riscos, j? que n?o teriam a quem recorrer em caso de problemas.

Efeitos para as construtoras

Essa restri??o de cr?dito tamb?m afeta as construtoras. "Os bancos est?o pedindo mais garantias e v?o injetar menos dinheiro no setor. Alguns segmentos podem sentir, por n?o conseguirem produzir com um custo t?o elevado. O reflexo ? que alguns empreendedores v?o reduzir seu ritmo de lan?amentos. N?o h? uma suspens?o, mas uma redu??o do ritmo alucinado de montagem de estandes de venda que era no passado", diz Pomp?ia, da Embraesp.

"? a hora da seletividade. Em vez de fazer 20 empreendimentos, (a empresa) vai fazer 16, e quatro vai deixar na gaveta para 2010, 2011", acrescenta Crestana, do Secovi.

As construtoras e incorporadoras tamb?m est?o entre as que mais sofrem com o "tombo" das bolsas de valores nas ?ltimas semanas. De olho nos problemas do setor, o governo federal autorizou, nesta semana, a Caixa Econ?mica Federal a comprar participa??o acion?ria em construtoras.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo ? evitar que haja uma interrup??o dos projetos por falta de recursos. "? uma resposta para dar continuidade aos projetos de constru??o habitacional", disse ele.

Cuidados na hora da compra

Para o consumidor, a recomenda??o dos especialistas ? redobrar a prud?ncia na hora da compra. Embora alguns bancos tenham elevado as taxas de juros, outros ainda mant?m a cobran?a no mesmo patamar.

"Quem pretende financiar um im?vel pode procurar um dos bancos em que ? cliente e negociar para manter a taxa. Para quem ? bom cliente, o banco pode manter (a taxa antiga)", diz Crestana. "Mas o comprador vai ser um pouco mais cauteloso agora, vai selecionar os melhores juros, n?o vai querer comprometer tanto da renda."

"A recomenda??o ? prud?ncia, paci?ncia e pechinchar muito. E, se puder esperar, para evitar riscos desnecess?rios. Eu acredito que em tr?s ou quatro meses j? vamos estar com uma situa??o mais est?vel, mais clara", afirma Pomp?ia.

Para uma fatia dos compradores, no entanto, a recomenda??o do presidente da Embraesp ? diferente: "Quem tem aqueles contratos j? prontos, com a situa??o de antes da crise, ? bom aproveitar. Porque dificilmente voltaremos a uma situa??o t?o privilegiada quanto a de seis meses atr?s."

Fonte: g1, www.g1.com.br